A administração Trump lançou na manhã de terça-feira um chatbot federal e, no mesmo evento, assinou uma ordem executiva que obriga as agências a ligar os seus serviços a ele. O site é o America.gov, abre com uma barra de pesquisa e a frase “Seja o que for que precise do Governo, comece aqui”, e, segundo a própria plataforma, recorre a cerca de 29 mil sites governamentais.

Joe Gebbia, diretor de design dos Estados Unidos e cofundador do Airbnb, disse ao público do lançamento que o site está “treinado especificamente numa única fonte oficial de verdade: o Governo dos Estados Unidos”. No Squawk Box, da CNBC, nessa mesma manhã, Gebbia afirmou que a plataforma funciona com o Gemini, da Google, e o Grok, de Elon Musk.

A ordem é a parte que traz prazos

O lançamento é a metade visível. A ordem executiva assinada no evento é a metade que vincula as agências. Estabelece o America.gov como ponto único de entrada para os americanos acederem em linha aos “serviços abrangidos”, definidos como serviços federais virados ao público, acessíveis em linha e com mais de 100 mil utilizadores por ano. Fica de fora a entrega de impostos no Serviço de Receitas Internas, tal como os serviços do Departamento da Guerra e da comunidade de informações. O diretor do Gabinete de Gestão e Orçamento pode alterar essa definição.

O administrador dos Serviços Gerais deve criar e operar o site e integrar o Login.gov como sistema de autenticação. Os dirigentes das agências têm de identificar os seus serviços abrangidos, integrá-los, concluir a integração com o Login.gov e reportar dados de utilização e desempenho. O Gabinete de Gestão e Orçamento tem 90 dias a contar de 29 de setembro para emitir a circular de aplicação.

Uma sala de espera vazia com filas de cadeiras e um balcão de atendimento
A ordem mantém as vias presencial, telefónica e postal. Foto ilustrativa. Trần Chính · pexels · Pexels License

A secção de política da ordem compromete o Governo com a minimização de dados, com manter os sistemas de IA “exatos, fiáveis e transparentes”, com deixar os registos à guarda da agência que os detém e com preservar as vias presencial, telefónica e postal como alternativas. Esta última cláusula conta: significa que o chatbot se soma aos canais existentes em vez de os substituir.

O que consegue e o que ainda não

A versão lançada na terça-feira diz ao utilizador onde está um serviço e como lá chegar. Gebbia disse que o plano é que, a partir de 2027, seja possível concluir processos na própria plataforma e acompanhá-los; o exemplo que deu foi alguém que muda de nome depois de casar e entrega os documentos sem sair do site.

O aviso de privacidade acima do diálogo pede aos utilizadores que “partilhem apenas o necessário”, informa que o serviço pode usar a localização aproximada e afirma que os seus fornecedores de IA não guardam perguntas nem respostas. Acrescenta que o America.gov “pode manter respostas em cache até duas horas, usando um hash da pergunta em vez do seu texto”.

Uma pessoa a escrever num portátil sobre uma secretária de madeira
Concluir processos na plataforma está previsto para 2027. Foto ilustrativa. Lukas Blazek · pexels · Pexels License

A contratação não é pública

Como dois modelos comerciais de fronteira foram parar atrás de uma porta de entrada federal não foi explicado. A FedScoop noticiou que a Casa Branca não respondeu às suas perguntas sobre proteções de privacidade nem sobre os acordos que cobrem estas tecnologias, e que a Administração de Serviços Gerais e a xAI não responderam aos pedidos de comentário.

Esse vazio é a ponta por resolver. O Governo já tem veículos de contratação para isto — o programa OneGov da Administração de Serviços Gerais fornece serviços de IA às agências a custo quase nulo, e o USAi dá-lhes acesso a vários modelos em simultâneo — mas nenhum foi apontado como a via seguida. Trump atribuiu a chefia de engenharia do projeto a Edward Coristine, o engenheiro da DOGE conhecido em linha como “Big Balls”.

O que observar

A circular a 90 dias é o primeiro marco: dirá que serviços as agências têm de mudar, e até quando. O segundo é saber se a administração publica os contratos ou o trabalho de avaliação dos modelos por trás de um sistema que, pela definição da própria ordem, será a fachada de centenas de serviços usados cada um por mais de 100 mil pessoas por ano.