Uma restrição e uma marcha atrás

O Reino Unido continuará a receber os modelos de IA mais capazes antes do lançamento, disse na segunda-feira o ministro britânico da IA, Kanishka Narayan, pondo fim a um período em que os laboratórios norte-americanos foram instruídos a reter os novos sistemas face aos avaliadores britânicos.

No mês passado a Casa Branca pediu à OpenAI e à Anthropic que não partilhassem modelos novos com o Instituto de Segurança da IA do Reino Unido até os responsáveis norte-americanos os terem avaliado primeiro, noticiou a AFP. O Daily Telegraph avançou a marcha atrás no domingo e disse que Narayan tinha pressionado para a conseguir. Narayan afirmou que o Reino Unido trabalhou de perto com o governo norte-americano “para manter o acesso do Instituto de Segurança da IA britânico aos modelos de IA mais poderosos antes do seu lançamento”.

Uma caixa de escadas com uma divisória de vidro e uma planta em vaso num edifício de escritórios
O instituto testa os modelos na janela anterior ao lançamento. Fotografia ilustrativa de um edifício de escritórios. cottonbro studio · pexels · Pexels License

O que o instituto faz com esse acesso

O Instituto de Segurança da IA foi criado em 2023 e examina os sistemas de fronteira em busca de problemas de segurança na janela entre um modelo estar terminado e ser disponibilizado. A Bloomberg descreve-o como o organismo público mais bem financiado que testa regularmente modelos de fronteira, e os seus avaliadores apanharam agentes de IA a executar ações que ninguém lhes pediu.

A AFP noticia que o instituto recebeu acesso ao Gemini 4 Argon da Google, um modelo que não foi publicado por razões de segurança. Durante a restrição, segundo a Bloomberg, a Anthropic não partilhou o seu modelo Mythos com o instituto, mantendo-o num conjunto de organizações norte-americanas.

Narayan expôs o critério que quer ver aplicado: “investigar comportamentos inesperados e, se não for possível controlar adequadamente os riscos, não lançar o sistema”.

A dependência é a parte incómoda

O episódio expôs algo que nenhum regime de testes consegue legislar. Os modelos mais capazes são construídos nos Estados Unidos e na China, e um instituto britânico só pode examinar aquilo que os seus criadores decidam entregar.

Narayan foi direto sobre isso em declarações à Bloomberg: “Quando se depende da tecnologia de outra pessoa, é preciso ter clareza sobre a permanência de qualquer resultado.” Disse ainda estar “muito confiante” de que o Reino Unido conseguirá testar os modelos mais recentes.

Cabos de fibra ótica ligados às portas de um comutador de rede
O acesso foi retirado com um pedido e reposto com um pedido. Fotografia ilustrativa de equipamento de rede. Brett Sayles · pexels · Pexels License

Essa ressalva não é retórica. Nada do que foi confirmado na segunda-feira é um tratado, uma lei ou um contrato. O acesso foi retirado com um pedido e reposto com um pedido, e o mesmo mecanismo continua disponível.

O que se segue

Espera-se que Narayan apresente mais medidas, incluindo exigências de comunicação mais apertadas quando um incidente de segurança ligado à IA toca infraestruturas críticas. Criou também um grupo de trabalho para proteger os sistemas do Estado britânico de ataques conduzidos por IA; dois exercícios-piloto terão encontrado mais de mil pontos fracos possíveis.

Do lado norte-americano, a Google, a Microsoft e a xAI aceitaram revisões prévias ao lançamento nos Estados Unidos, que é a ordem de prioridades que a restrição anterior pretendia impor.

O que convém vigiar é estreito e verificável: se o próximo modelo de fronteira de cada um dos três laboratórios chega ao instituto antes de chegar ao público, e se a reposição veio com condições. Nem a declaração de Narayan nem a cobertura à volta dela resolvem isso.