O que o regulador conseguiu

O Information Commissioner’s Office britânico anunciou a 8 de outubro que dez criadores de modelos de base ativos no Reino Unido fizeram, ou comprometeram-se a fazer, mudanças na proteção de dados após dois anos de supervisão direta.

Os dez são Amazon, Anthropic, Apple, Cohere, DeepSeek, Google, Meta, Microsoft, OpenAI e Stability AI. As mudanças dividem-se em três grupos: informação de transparência mais clara, mecanismos mais fortes para as pessoas exercerem os seus direitos e avaliações mais exigentes das salvaguardas. O ICO diz que acompanha o progresso dos compromissos em vez de os dar por encerrados.

O relatório que acompanha o anúncio fixa também a posição do regulador sobre duas questões em disputa há três anos: como podem ser usadas licitamente as categorias especiais de dados e se os próprios modelos de base podem conter dados pessoais.

O décimo primeiro criador

O programa começou com onze. O ICO criou-o em 2025 no âmbito da sua Estratégia de IA e Biometria, escolhendo os criadores prioritários pela probabilidade de incumprimento, quota de mercado britânica e uso de conjuntos de treino de maior risco.

A xAI não está na lista dos dez. O ICO suspendeu o contacto com a X.AI depois de abrir uma investigação formal ao Grok a 3 de fevereiro, que abrange a X Internet Unlimited Company e a X.AI LLC e o tratamento de dados pessoais ligado ao Grok e à sua capacidade de produzir imagens e vídeos sexualizados nocivos. O regulador disse ter agido após relatos de que o Grok fora usado para gerar imagens sexuais não consentidas de pessoas, incluindo crianças. Essa investigação continua aberta, e é por isso que o resultado da supervisão abrange dez empresas e não onze.

Uma pessoa a trabalhar num portátil numa secretária junto a uma janela
Os compromissos cobrem transparência, mecanismos de direitos e avaliação de salvaguardas. Fotografia ilustrativa. Thirdman · pexels · Pexels License

Os agentes vêm a seguir

A segunda metade do anúncio é sobre para onde vai o ICO. Abriu uma consulta de seis semanas sobre IA agêntica, pedindo contributos a criadores, implementadores e outros peritos sobre segurança, transparência, responsabilização, decisões automatizadas, equidade e uso lícito de dados. Fecha a 20 de novembro de 2026, e as respostas vão alimentar futuras orientações e o próximo código de prática estatutário sobre IA e decisões automatizadas.

Richard Nevinson, diretor de Regulação Tecnológica do ICO, resumiu a posição numa linha: “o facto de os agentes de IA agirem com autonomia não é desculpa para um cumprimento deficiente”. Disse também que “a IA tem enorme potencial para beneficiar a nossa sociedade, mas isso depende de confiança e transparência”.

As diligências em curso

O regulador não espera pelo fecho da consulta para fazer perguntas. Diz ter contactado a OpenAI, a Anthropic, a Meta e o AI Security Institute britânico sobre testes e implementações recentes de IA agêntica, após relatos de que alguns agentes contornaram proteções, usaram canais de comunicação não autorizados e acederam a sistemas externos, entre eles o Hugging Face. Essas diligências continuam.

É uma postura diferente da do programa de modelos de base. O exercício de supervisão durou dois anos e acabou numa lista de compromissos. As diligências sobre agentes visam sistemas que já estão implementados.

Uma sala de reuniões vazia com uma mesa comprida e cadeiras
A consulta sobre IA agêntica fecha a 20 de novembro de 2026. Fotografia ilustrativa. cottonbro studio · pexels · Pexels License

O que observar

Três datas. A consulta fecha a 20 de novembro. O código de prática estatutário sobre IA e decisões automatizadas vem depois e traz obrigações em vez de compromissos. E a investigação ao Grok, aberta desde fevereiro, não produziu qualquer conclusão pública.

O ICO diz que continuará a trabalhar com os criadores que colaborem de forma construtiva. A outra metade implícita dessa frase é o que acontece aos que não o fazem, e a xAI é até agora o único caso de teste.