A Meta declarou 3,912 mil milhões de dólares em créditos fiscais federais norte-americanos de investigação e desenvolvimento relativos a 2025 — mais do que qualquer outra empresa cotada — depois de tratar os seus centros de dados de IA como “modelos piloto” e os chips lá dentro como material consumido em experiências, segundo uma investigação publicada pelo New York Times a 30 de setembro.

O valor subiu de forma acentuada. O mesmo crédito poupou à Meta cerca de 700 milhões de dólares em 2023 e cerca de 2 mil milhões em 2024. O tratamento terá começado em 2024.

Como é suposto o crédito funcionar

O crédito de investigação e experimentação foi inscrito na lei norte-americana em 1981 para subsidiar trabalho cujo resultado é genuinamente incerto. O material qualifica quando é propriedade tangível não amortizável usada diretamente em investigação qualificada. Bens amortizáveis — a categoria em que normalmente cairia um centro de dados cheio de aceleradores — não qualificam.

Uma subestação elétrica de alta tensão
O crédito abrange material usado diretamente em investigação qualificada, não bens amortizáveis. Foto ilustrativa. Kris Møklebust · pexels · Pexels License

A posição da Meta, tal como o Times a descreve, é que construir e operar esses aglomerados é, em si, a investigação. A empresa publicou trabalho de engenharia coerente com esse enquadramento: um texto de março de 2024 descrevia o teste de dois aglomerados com 24 576 GPU cada, construídos com desenhos de rede diferentes, para apurar qual rendia melhor.

O que os especialistas fiscais disseram ao jornal

As reações dividiram-se. O advogado fiscalista Jeffrey Moeller disse que produtos comerciais e comprovados podem qualificar como material de investigação quando são necessários para resolver uma incerteza técnica dentro de um projeto. Shawn Marchant disse que seria cético quanto à abordagem em geral. Andre Shevchuck, sócio da consultora BPM especializado neste crédito, classificou a descrição de centros de dados de IA como experimentais de “bastante delirante e rebuscada”.

A autoridade fiscal norte-americana já contestou no passado pedidos que aplicavam o crédito a equipamento comprovado e disponível comercialmente.

Documentos em papel e recibos espalhados sobre uma secretária branca
A Meta reservou 18,74 mil milhões de dólares face a posições fiscais incertas. Foto ilustrativa. https://kaboompics.com/ · pexels · Pexels License

As próprias contas da Meta põem um número no risco

O número mais revelador é publicado pela própria Meta. A 30 de junho de 2026 a empresa tinha 18,74 mil milhões de dólares em benefícios fiscais brutos não reconhecidos, cobrindo tanto créditos de investigação como preços de transferência no estrangeiro — uma reserva que uma empresa constitui quando não espera que todas as posições que tomou sobrevivam a uma inspeção.

O porta-voz da Meta, Andy Stone, defendeu o crédito como um incentivo criado pelo Congresso para apoiar o investimento interno. A empresa gastou 57 mil milhões de dólares em investigação e desenvolvimento em 2025 e não revelou que parte do crédito veio dos centros de dados.

O auditor é também vendedor

O auditor da Meta, a EY, validou o tratamento e desde então propôs a mesma abordagem a outras empresas que querem compensar as suas compras de chips de IA. É essa a parte com consequências para além de uma só empresa: se a posição se aguentar, parte do custo da expansão da IA passa por omissão para o orçamento federal norte-americano, e não por uma decisão votada por alguém.

O que vigiar

Se a autoridade fiscal abre uma inspeção, e se as próximas contas de outro grande operador mostram um salto comparável em créditos de investigação. A reserva que a Meta carrega é o sinal mais claro disponível sobre a confiança dos seus próprios contabilistas.