A decisão
A xAI, de Elon Musk, conseguiu na sexta-feira que o Oitavo Circuito de Recursos dos Estados Unidos suspendesse a lei do Minnesota contra imagens íntimas falsas geradas por inteligência artificial enquanto decorre a sua impugnação constitucional, noticiou a Reuters. O tribunal, sediado em St. Louis, concedeu a providência sem explicar porquê.
A lei é a primeira do género nos Estados Unidos. Entrou em vigor a 1 de agosto e proíbe operadores de sítios, programadores de software e outros de permitirem que utilizadores criem imagens realistas que mostrem uma parte íntima do corpo ausente da fotografia original de uma pessoa identificável. A prática visada chama-se nudificação: introduz-se a foto real de uma pessoa real numa ferramenta e recebe-se uma versão sexualizada.
A xAI sustenta que a norma restringe expressão protegida pela Primeira Emenda. O Minnesota sustenta que trava um dano que já está a acontecer.
Três recusas e depois uma inversão
A empresa tinha perdido repetidamente em primeira instância. O juiz federal Donovan Frank decidiu no mês passado que a xAI não demonstrara que sofreria dano irreparável durante a impugnação e que tinha esperado demasiado tempo para pedir uma medida urgente. Segundo um resumo do processo, foi a terceira vez que o tribunal de distrito recusou travar a lei.

No recurso, a xAI contestou a conclusão de que se tinha atrasado. Disse também ao tribunal que a sua ferramenta Grok Imagine inclui aquilo a que chamou “proteções rigorosas” contra a produção de imagens nudificadas ou sexualizadas de pessoas reais — e que começou a processar utilizadores que, alega, contornam esses bloqueios para criar imagens sexuais de pessoas sem o seu consentimento.
É uma posição invulgar: uma empresa defende as suas próprias salvaguardas como suficientes enquanto pede a um tribunal que anule uma lei que as tornaria obrigatórias.
O que diz o Minnesota
A procuradoria-geral do estado disse na sexta-feira estar dececionada e que continuará a defender a lei enquanto o recurso avança. “A proibição de nudificação do Minnesota proíbe que produtos de IA gerem imagens sexuais que ferem e assediam as pessoas da forma mais vil possível”, afirmou John Stiles, porta-voz do procurador-geral Keith Ellison.

O estado afirmou ter aprovado a lei este ano para responder àquilo a que chamou uma “quantidade estarrecedora” de material de abuso sexual de crianças que produtos como o Grok Imagine geram. O diploma, HF 1606, foi promulgado em maio.
Porque importa para além do Minnesota
Uma providência durante o recurso não é uma decisão de mérito, e o Oitavo Circuito não deu fundamentos, pelo que nada na decisão pode ser lido como posição sobre a Primeira Emenda e os geradores de imagens. O que faz é deixar a primeira lei estadual de nudificação inaplicável enquanto durar o recurso.
Isso importa porque uma dúzia de outras assembleias estaduais têm escrito a partir do mesmo modelo. Que um tribunal federal de recurso esteja disposto a suspender a original, ainda que provisoriamente, muda o cálculo de cada estado que pondera uma — e de cada empresa que escolhe entre cumprir e litigar.
O que observar
A fase de mérito no Oitavo Circuito é o passo seguinte, e é aí que o tribunal terá de dizer se o resultado de um gerador de imagens é expressão do programador, do utilizador ou de nenhum. Até lá, a proibição do Minnesota está nos livros e não em vigor.