A autora é um grupo de licenciamento, não o espólio

A Authentic Brands Group, o grupo de licenciamento que controla a música e a imagem de Elvis Presley, processou a Anthropic na sexta-feira, como a Billboard noticiou primeiro. O caso está registado como ABE EPE LLC contra Anthropic. Alega que a empresa por trás do Claude violou os direitos de 274 canções de Presley, de «All Shook Up» e «Don’t Be Cruel» a temas bem menos conhecidos, e pede 150 mil dólares por cada obra violada: cerca de 41 milhões no total.

Editoras como a Universal e a Warner, e a RIAA, já processaram empresas de IA. Esta é uma das primeiras vezes que os detentores de direitos do catálogo de um só artista avançam com uma ação deste tipo.

Um microfone antigo num suporte numa cabina de gravação.
Os autores dizem que os resultados são obras derivadas sem licença. Imagem de arquivo. Jessica Lewis 🦋 thepaintedsquare · pexels · Pexels License

A queixa cita o Claude sobre o seu próprio texto

A alegação central não é apenas que a Anthropic treinou com as gravações, mas que o Claude continua a reproduzi-las. O documento afirma que o Claude produziu resultados infratores a partir de praticamente todos os catálogos disponíveis na internet, e que os filtros que a Anthropic instalou depois de processos anteriores não o impediram.

Como apoio, a queixa cita uma troca em que foi pedido ao Claude que recriasse canções específicas «para um público moderno». Segundo o documento, o Claude fê-lo e depois afirmou que os resultados ficavam muito próximos dos originais — a mesma estrutura, os mesmos ganchos com ligeira reescrita e conjuntos completos de versos, refrões e pontes — e que isso já «ultrapassava a inspiração e reproduzia a canção protegida», mesmo com as palavras trocadas.

É uma prova invulgar: a descrição que o próprio modelo faz do que acabara de escrever, apresentada pelos autores como prova de violação.

O advogado e a tese

Richard Busch é o advogado principal. Representou antes o espólio de Marvin Gaye no caso «Blurred Lines» contra Robin Thicke e Pharrell Williams. A queixa de Elvis assenta numa tese aparentada: a de que a Anthropic usa as canções para criar obras derivadas sem licença.

Bobinas a girar num gravador de rolo aberto.
A Anthropic não tinha comentado publicamente quando saíram as primeiras notícias. Imagem de arquivo. cottonbro studio · pexels · Pexels License

Busch escreveu que os autores fazem valer os seus direitos exclusivos contra uma ré que construiu todo o seu modelo de negócio sobre a violação de direitos de autor «a uma escala nunca vista».

Ao lado de quê

A Anthropic aceitou em 2025 um acordo de 1,5 mil milhões de dólares noutro processo de direitos de autor movido por autores, e as ações da indústria musical contra programadores de IA continuaram este ano. Tudo o que aqui consta é alegação dos autores: nenhum tribunal decidiu e a Anthropic não tinha comentado quando saíram as primeiras notícias.

O que importa acompanhar é se a Anthropic responde à acusação concreta sobre resultados produzidos depois de os filtros estarem instalados. É a parte da queixa que não depende do que estava nos dados de treino.