A autora é um grupo de licenciamento, não o espólio
A Authentic Brands Group, o grupo de licenciamento que controla a música e a imagem de Elvis Presley, processou a Anthropic na sexta-feira, como a Billboard noticiou primeiro. O caso está registado como ABE EPE LLC contra Anthropic. Alega que a empresa por trás do Claude violou os direitos de 274 canções de Presley, de «All Shook Up» e «Don’t Be Cruel» a temas bem menos conhecidos, e pede 150 mil dólares por cada obra violada: cerca de 41 milhões no total.
Editoras como a Universal e a Warner, e a RIAA, já processaram empresas de IA. Esta é uma das primeiras vezes que os detentores de direitos do catálogo de um só artista avançam com uma ação deste tipo.

A queixa cita o Claude sobre o seu próprio texto
A alegação central não é apenas que a Anthropic treinou com as gravações, mas que o Claude continua a reproduzi-las. O documento afirma que o Claude produziu resultados infratores a partir de praticamente todos os catálogos disponíveis na internet, e que os filtros que a Anthropic instalou depois de processos anteriores não o impediram.
Como apoio, a queixa cita uma troca em que foi pedido ao Claude que recriasse canções específicas «para um público moderno». Segundo o documento, o Claude fê-lo e depois afirmou que os resultados ficavam muito próximos dos originais — a mesma estrutura, os mesmos ganchos com ligeira reescrita e conjuntos completos de versos, refrões e pontes — e que isso já «ultrapassava a inspiração e reproduzia a canção protegida», mesmo com as palavras trocadas.
É uma prova invulgar: a descrição que o próprio modelo faz do que acabara de escrever, apresentada pelos autores como prova de violação.
O advogado e a tese
Richard Busch é o advogado principal. Representou antes o espólio de Marvin Gaye no caso «Blurred Lines» contra Robin Thicke e Pharrell Williams. A queixa de Elvis assenta numa tese aparentada: a de que a Anthropic usa as canções para criar obras derivadas sem licença.

Busch escreveu que os autores fazem valer os seus direitos exclusivos contra uma ré que construiu todo o seu modelo de negócio sobre a violação de direitos de autor «a uma escala nunca vista».
Ao lado de quê
A Anthropic aceitou em 2025 um acordo de 1,5 mil milhões de dólares noutro processo de direitos de autor movido por autores, e as ações da indústria musical contra programadores de IA continuaram este ano. Tudo o que aqui consta é alegação dos autores: nenhum tribunal decidiu e a Anthropic não tinha comentado quando saíram as primeiras notícias.
O que importa acompanhar é se a Anthropic responde à acusação concreta sobre resultados produzidos depois de os filtros estarem instalados. É a parte da queixa que não depende do que estava nos dados de treino.