A autoridade britânica da concorrência publicou a 23 de setembro uma versão revista das suas propostas sobre a escolha do utilizador relativas à Google, e a alteração de fundo está em quem pode constar da lista. Segundo o novo projeto, os assistentes de IA que cumpram os requisitos técnicos e de segurança do regulador poderão aparecer no ecrã de escolha de pesquisa, ao lado dos motores de busca convencionais.
A obrigação de base mantém-se: a Google teria de apresentar aos utilizadores de Android e Chrome uma escolha de serviços de pesquisa na primeira utilização do dispositivo ou do navegador, e voltar a perguntar todos os anos. O que a CMA reescreveu foi o teste de elegibilidade, que até agora pressupunha que o objeto da escolha era um motor de busca.
“A forma como as pessoas procuram informação online está a mudar, e os novos serviços criam oportunidades de inovação e concorrência”, afirmou Sarah Cardell, diretora executiva da CMA.

Porque esta é a peça difícil
É o último elemento pendente do pacote que a CMA propôs em janeiro. O regulador atribuiu à Google o estatuto de mercado estratégico em pesquisa geral e publicidade de pesquisa em outubro de 2025, ao abrigo da lei dos mercados digitais, concorrência e consumidores, e desde então impôs obrigações sobre o controlo dos editores quanto às funcionalidades de IA e sobre classificação justa e portabilidade de dados.
Um ecrã de escolha é o mais difícil de desenhar, porque obriga a definir a categoria dentro da qual a escolha é oferecida. Assistentes como o ChatGPT e a Perplexity são referidos pela própria CMA como o tipo de serviço que agora poderia qualificar-se: produtos que respondem a uma pergunta em vez de devolverem uma página de ligações, e que não são substitutos de um motor de busca em sentido estrito. O projeto revisto pede ainda que os fornecedores presentes no ecrã atribuam corretamente o conteúdo dos editores, a mesma preocupação que a CMA persegue em separado no seu trabalho sobre resumos gerados por IA.

A verdadeira fragilidade da medida
Os ecrãs de escolha têm história. A Comissão Europeia impôs um à Google em 2019, após a decisão antitrust sobre o Android, e o efeito medido na quota de pesquisa foi pequeno. Um lembrete anual é mais forte do que um ecrã único, e uma lista que inclua assistentes oferece algo genuinamente diferente em vez de cinco caixas de pesquisa quase idênticas. Se isso altera o comportamento em escala é uma questão empírica que o projeto não responde.
O que se segue
Os comentários ao requisito revisto encerram a 9 de outubro, e a CMA espera uma decisão final até ao fim de 2026. Os pormenores a ler nessa altura são os limiares de elegibilidade — o que um assistente terá de demonstrar em segurança e em capacidade técnica para merecer um lugar — e se o lembrete anual sobrevive na versão final, por ser a parte que a Google tem mais razões para contestar.