Um ano de cartas e uma resposta de 27 páginas
Três senadores democratas publicaram as conclusões de uma investigação de quase um ano sobre o que os centros de dados de IA custam às comunidades que os acolhem, e a conclusão central é sobre uma expressão. Quando o setor diz que paga o seu “custo total do serviço”, escrevem os senadores, refere-se à infraestrutura que serve as suas próprias instalações — não às melhorias da rede partilhada que só existem porque essas instalações foram construídas.
Elizabeth Warren, do Massachusetts, Chris Van Hollen, do Maryland, e Richard Blumenthal, do Connecticut, publicaram o relatório na quinta-feira com o título Power and Profits: How the AI Data Center Boom Costs Households and Communities. Tem 27 páginas e baseia-se nas respostas às cartas que os três enviaram a 15 de dezembro de 2025 à Amazon, Google, Meta, Microsoft, CoreWeave, Digital Realty e Equinix, além de um ano de entrevistas com representantes dessas empresas.
O argumento do “but-for”
As empresas opuseram-se em geral à imputação de custos “but-for” — o critério que obrigaria um promotor a pagar cada melhoria que não teria sido precisa sem a sua instalação. Defenderam antes que esses custos deviam ser repartidos por todos os consumidores.
“As empresas comprometem-se a pagar a infraestrutura que as beneficia em exclusivo, mas contestam quanto devem pagar pela infraestrutura partilhada, paga por todos os consumidores e construída apenas para acomodar o centro de dados”, escreveram os senadores.

O relatório acrescenta que, embora as empresas apontem as novas regras estaduais como suficientes para impedir a transferência de custos para os consumidores, pressionam as assembleias estaduais por condições mais favoráveis, “incluindo opondo estados uns aos outros com a ameaça de irem para outro lugar”.
Os acordos de confidencialidade e para que servem
Sobre o sigilo, o relatório diz que as quatro grandes tecnológicas analisadas pedem rotineiramente acordos de confidencialidade a elétricas, proprietários de terrenos, parceiros comerciais “e em alguns casos até a responsáveis públicos”. Várias, refere, reconheceram explicitamente que o objetivo de um acordo desses com um responsável público é limitar o escrutínio público, impedindo que a comunidade local saiba do projeto.
A Meta respondeu à investigação que “manter a confidencialidade durante o desenvolvimento do projeto aumenta a eficiência e a rapidez, ao permitir que todas as partes interessadas se mantenham concentradas nas necessidades do projeto proposto” — uma frase que os senadores leem como excluindo os moradores da lista de partes interessadas.

Benefícios fiscais e nenhum número de emprego
A terceira conclusão é sobre subsídios. Os promotores desvalorizaram ou evitaram reconhecer os incentivos fiscais que recebem, diz o relatório, mas na prática procuram-nos, e informaram a investigação de que continuarão a pedir e a aceitar isenções de imposto sobre vendas para chips e outros equipamentos — o que o relatório considera a forma mais valiosa de benefício fiscal para um centro de dados.
Nenhuma das sete empresas, escrevem os senadores, conseguiu ou quis apresentar provas quantitativas completas sobre a criação de empregos a tempo inteiro nas suas instalações.
O que se segue
A conclusão do relatório é direta: o setor “está a esmagar comunidades locais e a usar os seus recursos económicos para opor estados e municípios uns aos outros, criando uma corrida para o fundo em que os decisores estaduais e locais sentem que não têm outra opção senão ceder às exigências dos centros de dados — e deixando os cidadãos comuns com as contas”.
São conclusões dos próprios senadores, não uma auditoria independente, e as empresas defendem publicamente que os grandes investimentos em rede, como novas centrais e linhas de transporte, também beneficiam outros clientes. A Time, que avançou as conclusões, diz que se espera que alimentem um esforço mais amplo no Congresso no próximo ano para pôr limites a projetos de centros de dados intensivos em energia. O que há a acompanhar é se um critério but-for aparecerá numa proposta de lei.