A rodada
A Positron AI captou US$ 875 milhões com avaliação pós-investimento de US$ 5 bilhões, anunciou em 10 de setembro a startup de chips sediada em Reno, Nevada. O dinheiro vem em duas partes: uma Série C de US$ 375 milhões com avaliação pré-investimento de US$ 3,5 bilhões e uma Série C-1 de até US$ 500 milhões.
NEA, Atreides Management, Valor Equity Partners, Andra Capital e SemiAnalysis Capital lideraram juntos a Série C. A NEA e Jim Clark, cofundador da Netscape, lideraram a C-1. Entre os demais investidores estão DFJ Growth, a Qatar Investment Authority, Hudson River Trading, Cisco Investments e Naver Ventures. Forest Baskett (NEA), Gavin Baker (Atreides), Thomas Jermoluk (Jim Clark Office) e Dylan Patel entram no conselho.
O preço subiu rápido. Em fevereiro, a Positron captou US$ 230 milhões com avaliação de US$ 1 bilhão, numa rodada liderada por Arena Private Wealth, Jump Trading e Unless. A nova rodada avalia a empresa em cinco vezes mais, observou a Quartz.

Memória em vez de computação
O argumento da Positron é que a inferência é limitada pela memória, não pelo cálculo. Servir um grande modelo de linguagem exige ler seus pesos da memória a cada token gerado; por isso, a capacidade de memória define o tamanho do modelo que cabe num chip, e a largura de banda define a velocidade da resposta. As GPUs de data center da Nvidia usam memória de alta largura de banda (HBM), que depende de encapsulamento avançado.
O Asimov, próximo chip da Positron, usa em vez disso LPDDR5X, o tipo de memória de celulares e notebooks. Terá entre 288 GB e 2.304 GB por chip, segundo a empresa, que diz que a escolha lhe permite escapar das restrições de oferta de HBM e de encapsulamento avançado. Como aponta o SiliconANGLE, a LPDDR5X é mais barata e fácil de obter que a HBM, mas tem largura de banda bem menor. A resposta da Positron é o aproveitamento: ela diz que seus sistemas usam mais de 90% da largura de banda de memória disponível, enquanto a maioria dos aceleradores de IA usa menos de 30% da de sua HBM.
Essa afirmação sustenta todo o projeto, então a conta importa. O The Register calculou em fevereiro que a GPU Rubin da Nvidia tem 288 GB de HBM4 com 22 TB/s de largura de banda máxima, contra cerca de 3 TB/s do Asimov. Mesmo a 30% do máximo, a memória do Rubin continuaria cerca de 2,4 vezes mais rápida por essa estimativa. O trunfo do Asimov, se se confirmar, está na capacidade por chip e no custo, não na velocidade bruta.
Três produtos, um em operação
O Atlas, sistema de primeira geração da Positron, é o que já está sendo entregue. Mais de 50 racks estão sendo instalados na Oracle Cloud Infrastructure, onde o provedor de inferência Parasail usa essa capacidade; Jump Trading e i3d.net também são clientes em produção, segundo a empresa. O Atlas usava HBM, de acordo com o The Register, portanto não é uma demonstração prática do projeto com LPDDR5X.
O Asimov deve concluir o projeto (tape-out) no processo N3P da TSMC no fim de 2026, com produção no segundo semestre de 2027. Em fevereiro, o CEO Mitesh Agrawal disse ao SiliconANGLE que o chip chegaria no início de 2027. O Titan reúne de quatro a oito chips Asimov num único nó e é voltado, segundo a Positron, a modelos com mais de 16 trilhões de parâmetros e janelas de contexto de mais de 10 milhões de tokens.

A Positron também afirma que um único rack Titan pode processar até 26 vezes mais tokens por dólar que o GB300 NVL72 da Nvidia, número que, segundo o SiliconANGLE, vem de simulações. Ainda não existe silício do Asimov para comprová-lo.
O que o dinheiro compra
Os recursos vão pagar o tape-out do Asimov, um data center de engenharia e plataforma de emulação de mais de 2 MW, e a rampa de produção do Titan, incluindo o fornecimento de LPDDR5X, a capacidade de produção e a integração de sistemas. “Velocidade importa neste mercado, tanto na rapidez com que lançamos novas gerações de silício quanto na rapidez com que elas chegam aos clientes”, disse Agrawal.
O que observar
A data do tape-out é o primeiro teste real. A produção já passou do início para o fim de 2027, e um atraso além do fim deste ano a empurraria ainda mais. Depois, a questão é se medições independentes do Asimov confirmam o aproveitamento de largura de banda do qual o projeto depende. A SemiAnalysis Capital, uma das líderes da Série C, é comandada pelo analista Dylan Patel, que agora também integra o conselho da Positron.