Os chips da Google saem dos edifícios da Google

A Google Cloud e a Oracle anunciaram a 27 de outubro que as unidades de processamento tensorial da Google serão instaladas na Oracle Cloud Infrastructure, tornando a OCI, nas palavras do texto, “o primeiro hiperescalador fora da Google a oferecer TPU”. A implantação de capacidade TPU na OCI começa no ano civil de 2027.

O texto é assinado por Karan Batta, vice-presidente sénior da Oracle Cloud Infrastructure, e Gurmeet Goindi, diretor sénior de gestão de produto na Google. Não traz uma única citação direta nem condições comerciais. Não diz que geração de TPU a Oracle vai correr, quantos chips, em que regiões, a que preço, nem quanto vale o acordo para cada parte.

O que cada lado traz

A divisão de trabalho lê-se nos benefícios enumerados e não numa declaração expressa. A Google fornece os sistemas TPU — silício codesenhado, rede ótica, arrefecimento líquido e software de compilação — além do TorchTPU, a sua pilha nativa de PyTorch para TPU, agora publicada em código aberto no GitHub com suporte para vLLM, SGLang, llm-d, TorchTitan, Ray, TorchRec, Hugging Face e LiteRT.

A Oracle fornece os edifícios, a energia e o arrefecimento, descritos como centros de dados de alta densidade para IA construídos para arrefecimento líquido direto à escala do bastidor, e a rede que liga a capacidade TPU a tudo o resto na OCI. Essa rede é a Oracle Acceleron: uma SmartNIC com isolamento de inquilinos ao nível do hardware, um tecido de alto desempenho e encaminhamento de pacotes de confiança zero. O tráfego entre TPU permanece na interligação própria da Google e na sua comutação ótica de circuitos; a Acceleron trata do tráfego entre os aglomerados TPU e as bases de dados e o armazenamento da Oracle.

Isoladores e aparelhagem de uma subestação elétrica contra um céu azul
A implantação de capacidade TPU na OCI começa em 2027. Imagem ilustrativa. Phil Evenden · pexels · Pexels License

Os números que estão no texto

Os valores de desempenho são mais lição de história do que especificação. O texto nota que a primeira TPU entregava 92 teraflops e trinta vezes o débito por watt dos processadores da época, e que a oitava geração chega a 12,6 petaflops de cálculo FP4 nativo por chip — mais de cem vezes a TPU v1 — com até o dobro do desempenho por watt da geração anterior. Cita mais de 97% de débito útil em milhares de chips em grandes treinos, até 80% melhor desempenho por dólar para serviço de baixa latência na geração mais recente, e uma topologia de interligação que reduz os saltos de rede em mais de metade.

Nenhum desses números está ligado ao hardware que a Oracle vai efetivamente instalar, porque o texto nunca o nomeia. A oitava geração é descrita como a mais recente da Google, não como a que vai para a OCI.

A Oracle anda a colecionar aceleradores

O acordo das TPU é um entre vários. O SiliconANGLE noticiou que a Oracle tenciona também instalar os aceleradores à escala do wafer da Cerebras e o processador de inferência Jalapeño da OpenAI, atribuindo esses planos à CNBC e notando que nenhum está confirmado como definitivo. O argumento da Oracle é que os clientes podem escolher arquitetura sem sair da nuvem onde já estão os seus dados empresariais: afinação e inferência ao lado das bases de dados da Oracle em vez de uma transferência entre nuvens.

Cabos de rede pendurados atrás dos bastidores numa sala iluminada a azul
A Oracle Acceleron liga os aglomerados TPU ao resto da OCI. Imagem ilustrativa. panumas nikhomkhai · pexels · Pexels License

O que observar

A primeira coisa a procurar é uma geração e um número. Um acordo plurianual que começa em 2027 tem mais de um ano para arranjar ambos, e até lá a forma comercial do negócio é indecifrável de fora. A segunda é saber se o TorchTPU em código aberto permite mesmo mover cargas entre aceleradores sem reescrever o código dos modelos, que é o argumento de portabilidade em que todo o anúncio assenta e que só poderá ser testado quando as TPU na OCI estiverem disponíveis.