Cinco testes e uma categoria que ainda não existe
O Tesouro britânico publicou a 28 de outubro o Pacto dos Centros de Dados, a par do Orçamento. O documento fixa normas que os centros de dados são encorajados a cumprir e que os projetos de importância estratégica terão de cumprir para aceder a ação governamental adicional em ligações à rede, planeamento e entrega de infraestrutura.
A estrutura é uma troca. Os operadores aceitam obrigações; o Governo acelera as duas coisas que travam os centros de dados na Grã-Bretanha, que são a energia e a licença de construção. A lacuna do documento está justamente na categoria de que tudo depende: não define o que é um centro de dados estratégico, dizendo apenas que os locais candidatos terão de demonstrar valor estratégico suficiente e que os detalhes da definição e dos critérios adicionais serão apresentados em devido tempo.

O que pedem os cinco testes
O primeiro teste trata das faturas da eletricidade: os operadores devem pagar a sua parte justa dos custos do sistema energético, incluindo os custos que criam, e assumir compromissos credíveis quanto à capacidade de rede que pedem, em vez de reservarem mais do que vão usar. O segundo pede aos locais estratégicos que acordem um Plano de Benefício Local com a comunidade vizinha, com investimento proporcional à dimensão do empreendimento e voz local efetiva sobre como é gasto.
O terceiro fixa normas ambientais: proteger a natureza, minimizar o uso da água, publicar relatórios anuais de consumo de energia e água, aproveitar o calor residual para utilizadores próximos quando for viável, e atingir nas novas instalações uma eficiência energética de 1,3 ou melhor, com métodos como circuitos fechados de água. O quarto trata de emprego: contratação local, estágios remunerados, prioridade a fornecedores e tecnologias britânicos, contributo para o hardware de IA britânico e parcerias com investigadores do país.
O quinto é de segurança. Pede-se aos operadores que forneçam computação segura e fiável ao serviço nacional de saúde e a outros serviços públicos, que trabalhem com as autoridades técnicas nacionais, incluindo o centro nacional de cibersegurança, que partilhem informação relevante com o Governo, que planeiem com fornecedores críticos e que participem em exercícios governamentais.
O que o Governo oferece em troca
O pacto cria um Centro de Controlo Ministerial, presidido pelo ministro da IA, para avaliar o apoio a centros de dados estratégicos e usar poderes do Estado para encurtar os prazos de energia e de planeamento. Na rede, o Governo diz que vai reservar capacidade futura e reafectar a capacidade libertada por outros projetos usando os poderes da lei de planeamento e infraestrutura, trabalhar com a NESO e as empresas de rede para encontrar capacidade que possa ficar livre antes de 2030, e transferir contratos de ligação anteriores a 2030 para locais estratégicos quando necessário.
Apenas para projetos excecionais, desenvolverá um quadro estritamente controlado que permita geração no próprio local até garantir a ligação à rede. Depois de 2030, as ligações serão alinhadas com metas regionais informadas por uma ferramenta de planeamento espacial a que o documento chama ALIGN. O Governo diz ainda que apoiará o direito dos promotores a construírem por si a infraestrutura de ligação, apoiará a taxa de compromisso e a gestão de fila da Ofgem para desencorajar procura especulativa, publicará um projeto de Declaração de Política Nacional para Centros de Dados em consulta, e continuará a entregar cinco Zonas de Crescimento de IA em Inglaterra, Escócia e País de Gales.

O número por trás
A estimativa do próprio Governo é que o Reino Unido precisa de 6 GW de capacidade de centros de dados para IA até 2030. O pacto é o instrumento com que pretende lá chegar sem as batalhas de licenciamento e as filas de rede que travaram outras infraestruturas, e sem a oposição local que acompanha a chegada de um edifício grande e de um grande consumo elétrico a um sítio que não os pediu.
O cumprimento é voluntário para a maioria dos operadores. As medidas de rede e planeamento ficam reservadas aos locais estratégicos, e é aí que a categoria por definir começa a pesar: toda a força do pacto vive dentro de um termo que o documento ainda não define.
O que seguir
Duas coisas decidem se isto funciona. A primeira é a definição de centro de dados estratégico, que o Tesouro diz estar para chegar. A segunda é o projeto de Declaração de Política Nacional para Centros de Dados, que fixa como serão decididos os maiores projetos no regime dos Projetos de Infraestrutura de Importância Nacional e está em consulta. Até que ambas cheguem, o pacto fixa obrigações com a recompensa ainda pendente.