A ordem
A Autoridade de Licenciamento e Supervisão da Finlândia, a LVV, determinou a 6 de outubro que os trabalhos preparatórios em dois locais previstos para centros de dados da Google no norte do país fossem suspensos até estarem concluídas as avaliações de impacto ambiental exigidas por lei.
A ordem identifica a Tuike Finland Oy, a empresa que executa os projetos de Muhos e Kajaani, e manda-a parar de imediato, e em todo o caso o mais tardar a 23 de outubro, todas as medidas preparatórias que alterem significativamente o ambiente. Tommi Muilu, que dirige o departamento de ambiente da autoridade, disse que tinham sido removidas árvores, raspado o solo superficial e alteradas valas.
A Tuike Finland tem até 14 de outubro para se explicar e indicar o que tenciona fazer. A autoridade avisou que o incumprimento pode dar lugar a processos de execução.
O que foi abatido
A autoridade examina se centenas de hectares de floresta foram abatidos antes da avaliação que a lei finlandesa exige. Hanna Halmeenpää, que preside à Associação Finlandesa para a Conservação da Natureza, disse que mais de 300 hectares tinham sido cortados, incluindo locais que no seu entender deveriam ter sido preservados.

As avaliações de ambos os projetos continuam a decorrer e devem terminar ainda este ano. É esse o ponto a reter: o procedimento estava a correr e o terreno foi desmatado na mesma.
A resposta da Google
O porta-voz da Google Sondre Ronander disse que a empresa estudaria as conclusões da autoridade e seguiria as suas orientações, e reconheceu que ficara aquém. Acrescentou que a Google está a avançar com planos de paisagismo e biodiversidade, incluindo a plantação de árvores em 130 hectares em Muhos.
A ministra finlandesa do Ambiente, Sari Multala, afirmou que os projetos deverão sofrer atrasos por causa dos problemas com as avaliações.

A dimensão do que está em jogo
A Google anunciou em setembro um investimento de 13 mil milhões de euros em infraestrutura digital finlandesa para os próximos dois anos. A empresa já opera um centro de dados em Hamina e tem outro projeto em Vaala, cujo programa de avaliação ambiental foi entregue no início de outubro.
A Finlândia passou uma década a vender-se aos operadores de centros de dados com ar frio, eletricidade limpa barata e uma rede estável. Esses argumentos falam de operar um edifício. A discussão de agora é sobre desmatar o terreno para o erguer, e é a discussão que os países nórdicos em grande medida ainda não tinham tido.
O que vigiar
Três datas. Se a Tuike Finland entrega a sua explicação até 14 de outubro. Se as obras param mesmo até 23 de outubro, e o que faz a autoridade se não pararem. E se as avaliações ambientais, quando chegarem, concluírem algo que o abate já tornou irrelevante — que é o que faz da sequência uma questão jurídica e não uma formalidade.