Desligado até um administrador decidir o contrário
A Google anunciou na terça-feira que o Gemini, o Gemini Notebook, o Gemini no Classroom e a Pesquisa ficarão totalmente desligados nas contas de alunos do ensino básico e secundário até que um administrador da escola os ligue. A empresa diz que os administradores receberão mais pormenores nos próximos meses, antes de a mudança entrar em vigor, e não indicou uma data.
É o inverso da definição habitual. A Pesquisa, em particular, está disponível nas contas escolares há anos; desligá-la até a escola a pedir passa a decisão para o agrupamento e não para a Google.
O Guided Learning chega a mais dois sítios
O mesmo anúncio tira o Guided Learning — que conduz o aluno passo a passo por um problema em vez de o resolver — da aplicação Gemini. Está disponível no Google Classroom em todo o mundo desde terça-feira: o professor atribui uma atividade, a ferramenta trabalha um para um a partir do material da aula, e o professor vê onde a turma está a tropeçar.
Uma versão na Pesquisa arranca este mês como piloto em escolas selecionadas dos Estados Unidos, com outros agrupamentos a seguir nos próximos meses depois de recolhidas opiniões de docentes.

As provas que a Google invoca
A Google publicou dois estudos a par do lançamento. O primeiro é um ensaio controlado aleatorizado com mais de 300 estudantes da Universidade de Tóquio, que passaram meio dia a estudar sozinhos uma lição de estatística. Todos tinham os recursos em linha habituais; metade tinha ainda o Guided Learning na aplicação Gemini. Entre o pré-teste e o pós-teste, o grupo com ferramentas habituais melhorou 5,3 pontos percentuais e o grupo com Guided Learning 8,1 — diferença que a Google descreve como 1,5 vezes o ganho de aprendizagem.
O próprio texto da Google admite que o ganho “pode parecer modesto”, e o ensaio cobriu uma única sessão de meio dia. É o estudo da Google sobre o produto da Google, e a empresa não apontou qualquer replicação independente.
O segundo é um piloto de quatro semanas feito com a organização britânica Ark em quatro disciplinas de três escolas secundárias inglesas. Não regista nota de exame nenhuma. Os professores disseram que a ferramenta tratava das primeiras perguntas durante o trabalho autónomo, libertando-os para a ajuda individual; a maioria dos alunos inquiridos disse sentir-se à vontade para recorrer a ela quando encalhava, e mais de metade disse que a ajudou a resolver problemas sozinha.

Porque é que as duas metades encaixam
Uma ferramenta que orienta em vez de responder é a versão de um robô de conversa que uma escola consegue defender, e um interruptor desligado por omissão é a cedência que a torna vendável a agrupamentos que há dois anos bloqueiam estes produtos. A Google oferece as duas coisas ao mesmo tempo.
A falha é a duração. Um ganho de 8,1 pontos medido em meio dia diz algo sobre uma sessão de estudo e ainda nada sobre um período letivo. A Google diz que estão previstos estudos mais longos.
O que observar
A data que a Google puser na mudança da definição por omissão, e se o piloto da Pesquisa sai dos Estados Unidos. Também se a próxima ronda de investigação educativa da Google durar mais do que uma sessão, e se é feita por alguém de fora da Google.