O que foi anunciado
A OpenAI anunciou a 21 de setembro a criação de um Grupo Consultivo sobre Matemática e Inteligência Artificial, acolhido pelo Institute for Advanced Study, em Princeton. Tem nove membros fundadores: François Charles, Camillo De Lellis, Timothy Gowers, Martin Hairer, Nikhil Srivastava, Ulrike Tillmann, Ravi Vakil, Edward Witten e Melanie Matchett Wood.
O grupo existe por causa de uma afirmação que a OpenAI fez e ainda não fundamentou. A empresa diz que um modelo interno, cujo treino começou a 28 de agosto, resolveu mais de cem problemas em aberto de longa data na maioria das áreas da matemática. Isso acresce ao resultado sobre Navier-Stokes que a empresa já tinha anunciado. O anúncio não enumera os problemas.
Essa é a primeira tarefa do grupo. Na sua própria declaração de lançamento, disse enfrentar “o desafio muito específico de aconselhar a OpenAI sobre como coordenar a divulgação de um grande número de resultados significativos em matemática que, segundo relatam, foram produzidos pelo seu modelo interno”.

O que o grupo pode e não pode fazer
Os limites são declarados à partida, o que é invulgar e merece registo. Os membros não são pagos. Não têm autoridade sobre o ritmo da investigação da OpenAI, e a empresa não os consultará sobre isso. A formulação do próprio grupo é que a responsabilidade pelas decisões cabe à empresa.
O que podem fazer é avaliar a importância dos resultados e coordenar a sua divulgação para que a comunidade matemática os possa verificar como verifica tudo o resto. Neste volume, não é tarefa pequena. Cem resultados a chegar de uma vez, de uma fonte que não pode ser interrogada sobre o seu raciocínio, são antes de mais um problema de arbitragem.

A carta por detrás
O grupo não surgiu no vazio. Vinte e cinco medalhados Fields assinaram uma carta aberta intitulada “Um grave desalinhamento da IA na matemática”, contra o hábito de tratar problemas em aberto como uma métrica de desempenho para IA. Dos nove membros do novo grupo, só De Lellis assinou essa carta.
Essa composição diz algo sobre para que serve o grupo. Não é um painel das vozes mais céticas da disciplina, e o seu alcance não é largo: nove investigadores não podem representar um campo. Alguns matemáticos leram-no como um primeiro passo construtivo; outros perguntaram que influência pode exercer um órgão sem autoridade sobre o ritmo da investigação nem voz na publicação.
O que vale a pena seguir não são as declarações do grupo, mas o que produz. Se o primeiro conjunto de resultados sair numa forma com que os revisores possam trabalhar — demonstrações completas, problemas identificados, papel do modelo especificado em cada um —, o arranjo terá servido para alguma coisa. Se os resultados chegarem como um anúncio com um número em anexo, o grupo terá emprestado os seus nomes a um comunicado. Os matemáticos que o integram estão em posição de exigir a primeira hipótese, e a carta sugere que a disciplina vai reparar em qual recebe.