O que foi dito
Amjad Masad, presidente executivo e cofundador da Replit, disse na quinta-feira, em palco na TechCrunch Disrupt, que a sua empresa já não trabalha com a Anthropic. O TechCrunch noticiou as declarações, publicadas pela primeira vez a 16 de outubro.
Masad apresentou três razões: custo, parceria e desempenho. Disse que os modelos da OpenAI eram melhor parceiro por agora e, quanto ao desempenho, que a Replit corre um teste interno a par de um público, e que os modelos chamados Sol e Astra se saíram melhor a construir aplicações de raiz ao estilo vibe coding. «Acho que o ChatGPT é melhor agora», afirmou.
Disse também que a Replit tinha sido, até há pouco, um dos cinco maiores clientes da Anthropic. É esse número que torna isto mais do que uma troca de fornecedor.

O recuo, e o que deixa
Depois da sessão, Masad disse ao TechCrunch que os clientes podem continuar a usar modelos da Anthropic na Replit. A empresa descreve-se como agnóstica quanto a modelos e chama à OpenAI o seu parceiro preferencial para o Replit Agent. O que mudou foi a predefinição.
Na prática, é aí que está quase toda a mudança. A maioria dos clientes nunca sai da predefinição, pelo que a despesa da Replit com a Anthropic pode cair muito sem rasgar um único contrato e sem a empresa ter de dizer que a relação acabou.
Há uma contradição na reportagem. Uma fonte anónima disse ao TechCrunch que a parceria com a Anthropic se mantém. O TechCrunch nota ainda que um texto no blogue da Replit de finais de setembro descrevia o Claude Fable 5 e 5.1 a correr no ambiente de produção do Replit Agent, e que um trabalhador de produto da Replit promoveu o Opus 5.5 da Anthropic no X poucas semanas antes do evento. Nem a OpenAI nem a Anthropic comentaram oficialmente.

Porque uma predefinição vale tanto
Os agentes de programação são hoje uma das maiores categorias isoladas de consumo de modelos, e os produtos que os alojam ficam entre os laboratórios e quem gasta os tokens. A Replit anunciou uma parceria com a OpenAI em agosto, depois de ter corrido com o Claude; mover a predefinição é o passo que transforma uma parceria em volume.
Masad deu também números sobre de onde vem o dinheiro da Replit. O segmento empresarial representou cerca de 2% das receitas no ano passado e os contratos empresariais rondam os 15% este ano; mais de metade das receitas é já B2B, e disse nos bastidores que espera que mais de metade venha de clientes empresariais e do Estado em 2027. Não deu um valor de receita recorrente anual.
O que observar
Se a Anthropic responde oficialmente, e se a própria documentação da Replit começa a listar modelos da OpenAI onde hoje lista o Claude. O ponto mais amplo é a frequência com que isto acontece noutros sítios: um teste feito pela empresa que paga a conta, a comparar dois laboratórios na sua própria carga de trabalho, está a tornar-se o documento decisivo destas relações, e nenhum desses testes é publicado.