Uma ronda sincronizada contra a entrada em bolsa de outro
A OpenAI tenta fechar compromissos para uma ronda de financiamento de cerca de 30 mil milhões de dólares com uma avaliação acima de 1,4 biliões, e corre para o fazer antes de a Anthropic entrar em bolsa. A Reuters noticiou o plano a 19 de outubro, citando duas pessoas a par das conversas. Nem o montante nem a avaliação estão fechados.
O calendário é a notícia. A estreia da Anthropic é esperada em meados de novembro, e os dois laboratórios pedem capital ao mesmo conjunto de dinheiro institucional com semanas de diferença. Fechar primeiro significa que os investidores avaliam a OpenAI antes de poderem pôr os seus números ao lado de um prospeto.
O SoftBank e o fundo de Abu Dhabi MGX estão entre os acionistas atuais que, segundo a Reuters, negoceiam entrar. A OpenAI e o SoftBank escusaram-se a comentar à agência.
O que significariam 1,4 biliões
A última ronda com preço da OpenAI, em março, avaliou-a em 852 mil milhões de dólares, a par de 122 mil milhões em financiamento comprometido. Uma ronda acima de 1,4 biliões seria um salto de mais de 60% em cerca de sete meses.

A empresa disse a potenciais investidores que corre a cerca de 50 mil milhões de dólares de receita anualizada após o lançamento do GPT-6 Astra, e espera cerca de 70 mil milhões até ao fim do ano. São ritmos anualizados, não vendas contabilizadas do exercício, e são números da própria empresa.
Dois conjuntos de números, contados de maneira diferente
A Anthropic divulgou uma receita trimestral de 16,8 mil milhões de dólares no terceiro trimestre, acima dos 11,6 mil milhões do segundo: um crescimento de 45% em cadeia, bem abaixo dos 147% que reportou no início do ano. A Reuters já noticiara que alguns investidores querem a entrada em bolsa avaliada em 1,5 biliões e não nos valores mais altos discutidos internamente.
É essa a comparação que a OpenAI evitaria ao fechar cedo. Uma ronda privada negoceia-se com um punhado de investidores sob acordo de confidencialidade; uma entrada em bolsa publica contas auditadas e deixa qualquer um fazer as contas às duas empresas ao mesmo tempo.

Investidores disseram à Reuters que a OpenAI também precisa do dinheiro por razões próprias: os compromissos de infraestrutura que assinou e um balanço que tem de aguentar se mercados mais fracos empurrarem a sua própria estreia prevista para 2027 mais para a frente.
O que vigiar
Três coisas dirão se isto se aguenta. Se a ronda fecha em 1,4 biliões ou abaixo. Se a estreia da Anthropic cai em meados de novembro ou escorrega. E se o SoftBank, que já carregou grande parte do financiamento da OpenAI, repete a proporção, ou se MGX e outros terão de cobrir a diferença.