O problema que aponta

A Meta e a Sierra publicaram a 6 de outubro o Personal Agent Protocol, uma norma aberta sobre como um agente pessoal de IA se identifica perante uma empresa e o que essa empresa lhe permite fazer depois. A Genesys, a Instinct, a Rocket, a Shopify, a Stripe e a Walmart desenvolvem-na com elas.

O diagnóstico do anúncio é direto sobre como os agentes funcionam hoje. “A maioria dos agentes pessoais usa sites e aplicações como as pessoas usam: a carregar páginas e a clicar em formulários”, escreveram Bret Taylor e Clay Bavor, cofundadores da Sierra. Quando isso falha, o agente recorre à linha de apoio ou ao chat. “Isto pode demorar muito tempo, e o agente pode não concluir a tarefa.”

Os três grupos querem coisas diferentes. Os consumidores querem o trabalho bem feito à primeira. As marcas querem saber quando um agente age por um cliente e decidir o que ele pode fazer. Quem constrói agentes quer uma via direta e uniforme para as empresas participantes.

Como funciona uma sessão

O protocolo começa no site da empresa, onde o agente descobre o que é oferecido e como lá chegar. Depois abre uma sessão em nome do seu utilizador, e pode começar como convidado — o suficiente, dizem os autores, para verificar a disponibilidade de um produto ou perguntar pela política de devoluções.

Encomendas de cartão empilhadas junto a uma porta de entrada
Os pagamentos aparecem como extensão futura, fora da v0.1. Imagem ilustrativa. Liza Summer · pexels · Pexels License

Quando uma tarefa exige acesso à conta, o cliente entra na página da empresa ou usa credenciais que o agente já tem, e decide se este fica com acesso de leitura ou de escrita. A sessão assenta em OAuth e mantém-se entre canais, pelo que uma pergunta feita antes do início de sessão e uma alteração de encomenda feita depois contam como uma só visita.

A partir daí a empresa escolhe a via: as suas páginas web habituais, as suas APIs através de normas como MCP e OpenAPI, ou o seu próprio agente para o que exija conversa, como uma reclamação de garantia.

O que não está na primeira versão

A especificação v0.1 chega ainda este mês, seguida de sessões de desenho e de uma implementação de referência. Várias das peças que fariam o comércio por agentes funcionar de facto aparecem como extensões futuras e não como funções já entregues: permissões mais finas sobre ações concretas, notificações push para que uma empresa avise um agente de que um voo está atrasado ou uma encomenda saiu, e extensões de pagamento que permitiriam a um agente concluir uma compra sem lidar com um número de cartão.

Este último ponto importa. A Stripe é parceira nomeada e o seu responsável de pagamentos é citado no anúncio, mas pagar não faz parte da primeira especificação.

Uma porta de entrada de madeira fechada com puxador de latão
A sessão assenta em OAuth e mantém-se entre canais. Imagem ilustrativa. Jan van der Wolf · pexels · Pexels License

Porque é que os retalhistas aderiram

A lógica comercial é mais simples do que a técnica. A Meta disse à TechCrunch que “recusar um agente pessoal significa recusar o cliente que está por trás”, e que prefere trabalhar com as empresas sobre as preocupações de fundo a vê-las perder esse cliente.

Tony Bates, presidente e diretor executivo da Genesys, resumiu assim o lado das marcas no anúncio: “As marcas precisam de uma forma fiável de saber quem um agente de IA representa, o que está autorizado a fazer, qual a sua intenção e como trabalhar com ele em segurança.”

O que acompanhar

Uma norma aberta só é norma quando mais alguém além dos autores a implementa. A lista de nomes é o que este anúncio tem de mais sólido e a especificação o que tem de mais fraco: ainda não existe. Importa ver se o texto v0.1 sai este mês como prometido, se alguém fora do grupo fundador a adota, e se uma norma rival do lado dos pagamentos define primeiro o mesmo aperto de mão.