Uma etiqueta de preço para o agente

A Meta anunciou na segunda-feira um novo negócio empresarial, reunindo os seus produtos de IA numa única divisão que vende a empresas e programadores em vez de a consumidores. A oferta inicial junta o Muse, o agente pessoal que as pessoas descarregam; o Muse Code, o agente de programação construído sobre o modelo Muse Spark; a API do Muse; e o Meta Business Agent, que já responde a clientes no WhatsApp e no Messenger.

À frente fica Chirantan “CJ” Desai, que deixa o cargo de presidente executivo da MongoDB para se tornar diretor da plataforma empresarial da Meta, reportando a Mark Zuckerberg. As ações da MongoDB caíram mais de 17 por cento quando a sua saída foi anunciada. Desai disse no anúncio da Meta que a empresa “tem um papel único a desempenhar porque está a juntar modelos avançados e agentes de topo”.

O que a Meta já tem para vender

Uma pessoa com auscultadores com microfone a trabalhar num computador num escritório
A Meta disse em junho que mais de um milhão de empresas usam um Business Agent no WhatsApp e no Messenger. Fotografia de arquivo. Yan Krukau · pexels · Pexels License

O agente de negócio não é novo nem é pequeno. A Meta disse em junho que mais de um milhão de empresas já usavam um Business Agent dentro do WhatsApp e do Messenger — uma posição de distribuição que nenhum fabricante de software empresarial consegue comprar. O que é novo é a tentativa de pôr o resto da pilha atrás do mesmo balcão.

O Muse tem pouco mais de um mês e teve um mês barulhento. Utilizadores encontraram ficheiros de configuração iguais aos do OpenClaw e disseram que o assistente era fortemente inspirado nele. Cada utilizador do Muse recebeu uma máquina Ubuntu completa na nuvem, com acesso de leitura ao seu próprio sistema de ficheiros. A Meta deu depois ao agente um endereço de correio próprio, um avatar de vídeo e o controlo do Mac do utilizador. A Amazon expulsou-o da sua loja invocando os termos de serviço; a Shopify abriu-lhe o pagamento Shop Pay um dia depois. Um investigador alcançou o iPhone emparelhado com um Mac que o executava através de uma definição não documentada, e a Meta corrigiu uma falha que poderia ter permitido a um atacante chegar à máquina Muse de outro utilizador.

O buraco no anúncio

A Meta não publicou preços, datas de disponibilidade nem compromissos de serviço. Para um produto vendido a empresas em vez de oferecido a consumidores, são esses os termos que decidem se alguém assina. Também não disse como a oferta empresarial se relaciona com o Llama, a linha de pesos abertos sobre a qual a Meta construiu a sua relação com os programadores.

Uma lojista a trabalhar atrás de um balcão ao lado de um tablet de ponto de venda
A plataforma empresarial ainda não tem preços publicados. Fotografia de arquivo, não um cliente da Meta. 🇻🇳🇻🇳Nguyễn Tiến Thịnh 🇻🇳🇻🇳 · pexels · Pexels License

O quadro competitivo é simples e está cheio. A Microsoft dividiu o Copilot em três superfícies e passou o trabalho dos agentes para faturação por uso. A Amazon abriu as suas ferramentas de vendedor ao Claude, da Anthropic. A Google testa compras dentro do Gemini. A Anthropic e a OpenAI vendem ambas diretamente a empresas. A Meta chega com a maior base instalada de pequenos negócios e a menor experiência em cobrar-lhes por software.

O que observar

O número que importa não é quantas empresas usam gratuitamente um Business Agent dentro do WhatsApp, mas quantas pagam pelo Muse Code ou pela API do Muse assim que existir um preço. A primeira tarefa de Desai é publicar um. Vale a pena observar também como a Meta trata as questões de segurança que perseguiram o Muse durante setembro: um comprador empresarial pergunta o que o agente consegue alcançar num portátil de trabalho, e a Meta passou o mês a responder a essa pergunta em público, um incidente de cada vez.