Um jantar de Estado com a indústria da IA à mesa

O presidente Donald Trump recebeu o presidente Xi Jinping na Casa Branca na quinta-feira, e a inteligência artificial atravessou tanto as conversas como o jantar de Estado que se seguiu. Junto dos dois casais presidenciais sentaram-se o presidente executivo da Nvidia, Jensen Huang, e a sua mulher Lori Huang, o presidente executivo da SpaceX, Elon Musk, e a presidente executiva da AMD, Lisa Su, além de Tim Cook, da Apple, noticiou a CNBC. Na lista de convidados estavam também o presidente executivo da OpenAI, Sam Altman, e o seu presidente, Greg Brockman, o cofundador da Google, Sergey Brin, o presidente executivo da Microsoft, Satya Nadella, e o da Meta, Mark Zuckerberg.

O que não aconteceu pesa tanto como o que aconteceu. Nenhum acordo sobre limites, nenhuma norma comum, nenhum calendário. Os Estados Unidos não tinham publicado o seu próprio comunicado da reunião na manhã de sexta-feira.

“Deixá-la exatamente onde está”

Trump fixou a sua posição no Truth Social antes do encontro. “A superinteligência (SI) vai ser um grande tema de conversa, mas quero deixá-la exatamente onde está. Essa é também a posição da China”, escreveu na quinta-feira, usando o termo que adotou recentemente em vez de inteligência artificial.

O comunicado chinês da reunião tem um tom mais caloroso e chega a um ponto semelhante. Xi disse que os dois países “podem competir, mas podem cooperar ainda mais” em IA, e que “podem continuar o seu diálogo sobre IA, trocar opiniões sobre os seus riscos e benefícios e impedir em conjunto o uso indevido e o abuso da IA”. Acrescentou que “a IA tem de ser mantida sob controlo humano” e deve “servir o progresso da humanidade”. Segundo o mesmo relato chinês, Trump disse que as duas partes devem “manter o diálogo e reforçar a cooperação em IA”.

Longas mesas de banquete preparadas para o jantar num salão luminoso
Dirigentes da Nvidia, AMD, Apple, OpenAI, Microsoft, Google e Meta estavam na lista de convidados. Fotografia de arquivo de um banquete sem relação. Adrien Olichon · pexels · Pexels License

Os dois governos já tinham rejeitado o abrandamento que Altman e Dario Amodei, da Anthropic, pediram publicamente este mês. Uma cimeira que juntou esses dois homens na mesma sala não mudou isso.

Um telefone vermelho, quando muito

A peça concreta em cima da mesa é anterior ao jantar. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, discutiu um “diálogo Estados Unidos-China sobre IA” com o seu homólogo He Lifeng durante o fim de semana, incluindo um canal para incidentes “até um nível de segurança nacional” — um mecanismo que os observadores comparam ao telefone vermelho da Guerra Fria entre Washington e Moscovo.

“Parece que ficámos com uma intenção de continuar o diálogo, acompanhada de uma espécie de linha direta para emergências”, disse à CNBC Aalok Mehta, diretor do Wadhwani AI Center do Center for Strategic and International Studies.

É algo real, e é pouco. Um canal de incidentes diz a cada lado o que já correu mal. Não limita o que cada um constrói.

O que ninguém resolveu

Os controlos de exportação norte-americanos continuam a restringir o acesso da China aos aceleradores mais avançados da Nvidia, e não foram resolvidos aqui. Nem as acusações norte-americanas de que empresas chinesas treinam com as saídas de sistemas norte-americanos mais capazes — a “destilação”, que Pequim rejeita — nem as notícias de que empresas chinesas alugam remotamente a computação que não podem importar, chegando a chips da Nvidia em centros de dados fora da China.

Grande plano de uma placa de circuito verde com um soquete de processador vazio
Os controlos de exportação sobre os aceleradores da Nvidia não foram resolvidos na cimeira. Fotografia de arquivo de uma placa sem relação. Nic Wood · pexels · Pexels License

Cada um destes diferendos está vivo, tem dinheiro e capacidade por trás, e cada um sobreviveu intacto à visita.

O que vigiar

O comunicado norte-americano, quando aparecer, é o primeiro teste: se Washington descreve o mesmo diálogo que Pequim descreveu, e nos mesmos termos. Depois, se o canal de incidentes ganha um nome, uma equipa e um número para ligar. Até lá, o resultado da cimeira em matéria de IA é um acordo entre dois governos de que nenhum quer ser o que trava.