O que fica mesmo proibido

A Anthropic publicou a 8 de outubro uma política de uso atualizada, em vigor a 12 de novembro. A própria empresa diz que a maioria das alterações clarifica regras existentes em vez de mudar a forma como são aplicadas. Duas secções fazem bastante mais do que isso.

A secção sobre vigilância e aplicação da lei foi reescrita. Proíbe agora seguir pessoas sem o seu consentimento, em tempo real ou a partir de dados recolhidos antes; usar o Claude para decidir ou recomendar quem investigar, deter ou acusar; e construir ou melhorar ferramentas de vigilância. A lista do que é permitido é mais curta do que a do que é proibido: seguimento consentido, como a monitorização de fraude, além de moderação de conteúdos, jornalismo e investigação jurídica.

É um laboratório de fronteira a escrever, como condição de serviço, que o seu modelo não pode ser aquilo que escolhe quem a polícia persegue.

As regras eleitorais ficaram mais soltas

A secção eleitoral passou a chamar-se “Não minar os processos democráticos” e foi estreitada a enganar eleitores ou perturbar eleições: espalhar informação falsa sobre a votação, fazer-se passar por responsáveis.

O veto geral à segmentação de eleitores e campanhas desapareceu. A Anthropic diz que usos cívicos legítimos, como informação eleitoral multilingue, deixaram de estar barrados, e que a segmentação enganosa e o uso indevido de dados pessoais continuam proibidos noutras secções. Sobretudo numa nova, “Não conduzir campanhas enganosas nem atividade artificial”, que junta regras antes dispersas por eleições, fraude, privacidade e desinformação. Cobre esconder quem está por trás de uma mensagem, usar contas falsas e construir ferramentas para operações de influência — e aplica-se ao engano comercial tanto como ao político.

Uma mão a colocar um papel dobrado numa urna
O veto geral à segmentação de eleitores e campanhas foi removido. Imagem ilustrativa. Edmond Dantès · pexels · Pexels License

Armas, e máquinas que se movem

As proibições sobre armas nomeiam agora explicitamente software e componentes de armamento, e armar drones ou outros veículos autónomos.

A secção de alto risco mantém os requisitos de supervisão humana e divulgação, mas acrescenta algo novo para hardware que executa ações físicas autónomas: um operador qualificado tem de o poder parar, e tem de manter um estado seguro se o Claude for desligado. Essa segunda condição é a interessante. Parte do princípio de que o modelo cai a meio de uma tarefa e exige que a máquina falhe para a imobilidade e não para a última ordem recebida.

Uma regra sobre ser cruel com o Claude

A política acrescenta uma proibição do abuso prolongado e gratuito do modelo, limitada a casos extremos. A Anthropic é explícita sobre o que não abrange: frustração, contestação, temas criativos sombrios e testes ou investigação ficam de fora.

Não é uma cláusula vazia. O Claude já pode terminar conversas persistentemente abusivas no Claude.ai e no Claude Code, pelo que o comportamento do produto chegou antes da regra. O que é novo é a empresa tê-lo escrito no documento que os clientes aceitam, o que transforma um comportamento do modelo numa condição.

Um pequeno drone quadricóptero a voar num céu limpo
As regras sobre armas cobrem agora explicitamente armar drones e outros veículos autónomos. Imagem ilustrativa. Bert Christiaens · pexels · Pexels License

Onde está, e de quem é

A linguagem sobre regiões suportadas foi apertada de um modo que pesará mais sobre estruturas societárias do que sobre pessoas. Restringe agora o uso por quem está fisicamente em regiões não suportadas, por entidades aí constituídas ou sediadas, e por entidades detidas ou controladas maioritariamente por partes de lá.

Essa última cláusula atravessa a propriedade em vez de parar na placa da porta.

O que observar

A data a anotar é 12 de novembro. Até lá, as cláusulas a seguir são as da vigilância: estão escritas de forma suficientemente ampla para apanhar boa parte das ferramentas de segurança correntes, e o modo como a Anthropic ler na prática “construir ou melhorar ferramentas de vigilância” decidirá se isto é uma linha ou um slogan.