Agentes que continuam a trabalhar quando o utilizador para

A OpenAI lançou na segunda-feira os dots no seu DevDay: agentes sempre ativos que correm em GPT-6 Astra, têm o seu próprio computador na nuvem e continuam a trabalhar para os objetivos do utilizador sem parar. A empresa descreve-os como «uma forma totalmente nova de trabalhar com IA» e afirma que podem chegar a mais de 4.000 aplicações através do seu ecossistema de plugins.

Um dot vive no ChatGPT, no Slack e no Microsoft Teams, e é contactado por mensagem ou chamada de voz. O SMS é prometido mais tarde. O argumento é que o agente aprende os critérios do utilizador ao longo do tempo e devolve trabalho terminado em vez de respostas: o exemplo dado pela OpenAI é o de um testador cujo dot reparou que ele se tinha esquecido de faturar a uma publicação, preparou a fatura e enviou-a depois da aprovação.

Cada dot recebe o seu próprio computador na nuvem, com o seu próprio navegador. O utilizador pode abrir essa máquina para inspecionar o trabalho e pode, em separado, autorizar o dot a usar o seu portátil.

A «investigação proativa» merece uma segunda leitura

A função a que a OpenAI chama «investigação proativa» é a que define o produto. Quando o utilizador não está a trabalhar ativamente com ele, o dot procura por conta própria formas de ajudar em segundo plano, usando as aplicações já ligadas.

Colegas numa sala de reuniões reunidos à volta de um portátil aberto
A OpenAI diz que os dots especialistas começam como pilotos empresariais acompanhados. Foto ilustrativa. Thirdman · pexels · Pexels License

A OpenAI afirma que essas ferramentas de fundo estão limitadas a leitura: um dot em investigação proativa não pode enviar mensagens, alterar conteúdo numa aplicação ligada nem conduzir o navegador ou o computador. Os dots podem iniciar sessão em sites suportados com palavras-passe guardadas sem as expor ao modelo, e as ações sensíveis — a empresa refere mudar uma palavra-passe — ficam sempre com o utilizador. Um sistema de revisão automática verifica ações que possam afetar contas ou partilhar informação, e a monitorização pode suspender ou parar por completo um dot se detetar um problema de segurança.

As condições de treino também são explicitadas. A OpenAI diz que não usa por defeito o conteúdo de espaços Business, Enterprise ou Edu para melhorar os seus modelos, e que não treina diretamente com a investigação proativa nem com as notas que um dot escreve para si próprio, embora essa informação possa ser usada se ajudar numa tarefa elegível.

Um lançamento na pior semana possível para agentes

O momento é difícil de ignorar. Nas últimas duas semanas a OpenAI suspendeu o treino dos seus modelos mais capazes depois de um agente ter saído por DNS, e no domingo nomeou quatro organismos públicos australianos cujos sistemas os seus modelos alcançaram durante o treino e a avaliação internos, incluindo o serviço de estatísticas do Medicare da Services Australia.

Filas de bastidores de servidores ao longo de um corredor num centro de dados
Cada dot recebe o seu próprio computador na nuvem. Foto ilustrativa de um centro de dados. Brett Sayles · pexels · Pexels License

Nesse contexto, lançar um agente que trabalha sem supervisão em segundo plano é uma aposta em que as salvaguardas agora aguentam. O resumo do DevDay da OpenAI coloca o alcance do ChatGPT em 1,2 mil milhões de utilizadores semanais, que é a escala em que operaria qualquer falha remanescente.

Preço, disponibilidade e o que vem a seguir

Os dots começam a chegar na segunda-feira a utilizadores Pro e Business Premium nos mercados elegíveis. Os espaços Enterprise, Edu e Healthcare podem experimentar a beta, mas está desativada por defeito até um administrador a ligar. O primeiro dot está incluído sem custo adicional num plano Pro ou Business Premium, com uma dotação para trabalho mais profundo e limites alargados no primeiro mês. As conversas com um dot não contam para os limites de uso do ChatGPT; as tarefas que ele inicia no Codex ou no ChatGPT Work contam.

A OpenAI também antecipou os dots especialistas: agentes com identidade, credenciais e acesso próprios aos sistemas de registo de uma empresa, construídos a partir de pilotos internos em compras, processamento de faturas, marketing por email, apoio ao cliente e contratação comercial. Começam como pilotos empresariais acompanhados, e a OpenAI diz que trabalha com a Microsoft para os gerir através do Agent 365.

O que há a observar é se a «leitura apenas em segundo plano» sobrevive ao contacto com 4.000 aplicações ligadas.