O produto
A Meta apresentou os Ray-Ban Meta Audio na sua conferência Connect, a 23 de setembro. Começam nos 349 dólares, são enviados a 13 de outubro e pesam 43 gramas. A Meta diz que duram até doze horas por carga, mais 48 horas a partir do estojo. Vêm em duas armações, uma Clubmaster retro e uma Burbank retangular, em 23 combinações de cor e lente, todas disponíveis com lentes graduadas.
O que não têm é câmara. Reproduzem música e podcasts, atendem chamadas, fazem tradução de fala em direto e dão acesso ao Muse, o assistente da Meta. Todo o resto da gama mantém a câmara.
“Depois de nos habituarmos a áudio de alta qualidade, é uma coisa que queremos ter sempre, não é?”, disse Mark Zuckerberg.

Por que tirar a câmara
Porque é a câmara que incomoda. Os óculos com câmara da Meta têm recebido críticas continuadas por gravarem pessoas que não deram o seu acordo, e nenhuma luz indicadora resolveu essa discussão. Um par que fisicamente não pode gravar elimina a objeção em vez de a gerir.
É uma decisão de produto a sério, e também mais barata. A 349 dólares, o modelo Audio fica abaixo dos Ray-Ban Meta de terceira geração, anunciados no mesmo dia por 449 dólares com câmara de 12 megapíxeis, vídeo 3K, conjunto de seis microfones, botão de ação personalizável e até nove horas de bateria. A Meta anunciou ainda um modelo Adventurer de 249 dólares, colaborações de 399 dólares com Kylie Jenner e Lisa, e a expansão das vendas a Singapura, Coreia do Sul, México, Emirados Árabes Unidos e Brasil.

O Muse ganha aparelho próprio
O anúncio mais interessante é o Muse Charm, um aparelho do tamanho de uma palma com um ecrã OLED de duas polegadas construído à volta do assistente da Meta. Tem câmaras, altifalantes, microfones e 5G, o que o torna mais próximo de um telemóvel do que de um acessório, e uma personagem Muse personalizável no ecrã cuja aparência, roupa e voz o dono pode mudar. A Meta diz que chega em dezembro por um preço próximo do de um relógio inteligente, sem avançar um número.
A Meta mostrou também óculos de realidade virtual por 1.299,99 dólares para a primavera de 2027, com cerca de 100 gramas, um módulo de processamento à parte e ecrãs micro-OLED.
A estratégia por baixo de tudo isto é o assistente, não os óculos. O Muse chegou ao primeiro lugar da App Store americana e da Google Play depois do lançamento deste mês, e a Meta tem vindo a ligá-lo ao comércio: Walmart e Instacart entre os retalhistas, com um agente capaz de subscrever serviços, marcar consultas e fazer chamadas. Os óculos são distribuição. O que a Meta testa com o modelo sem câmara é se as pessoas compram o assistente sem a peça que tornou o produto polémico, e a resposta vai ver-se na forma como o escalão de 349 dólares vender face ao de 449.