Um roteiro antecipado
A Huawei terá o seu acelerador Ascend 960DT pronto no primeiro trimestre de 2027, três trimestres antes do planeado, anunciou a empresa na quinta-feira, na abertura da Huawei Connect 2026 em Xangai. O chip seguinte, o Ascend 960PR, é agora esperado no terceiro trimestre de 2027, um trimestre antes da data anterior.
David Wang, vice-presidente do conselho da Huawei e presidente rotativo, apresentou um calendário que vai muito além desses chips. «Em 2028 e 2029 lançaremos os chips Ascend 970 e 980, respetivamente», disse Wang, descrevendo uma cadência de uma geração por ano. A Huawei sustenta que a geração Ascend 960 duplica o desempenho da anterior, um número que a própria empresa divulga sobre o seu silício e que nenhuma avaliação independente verificou até agora.
O calendário importa porque a Huawei é a principal alternativa nacional para compradores chineses sem acesso aos aceleradores mais potentes da Nvidia sob os controlos de exportação norte-americanos. Antecipar uma geração em nove meses encurta a espera desses clientes.
O primeiro SuperPoD com óptica de encapsulamento próximo
A par das datas, a Huawei lançou o Atlas 960E SuperPoD, que descreve como o primeiro sistema do setor construído sobre óptica de encapsulamento próximo, ou NPO. Um único Atlas 960E escala até 4096 NPU, entrega 8 EFLOPS de computação FP8 e comporta até 1 petabyte de memória de alta largura de banda.

A óptica é o ponto central. A Huawei afirma que o sistema substitui cerca de 48 000 módulos ópticos convencionais de 800G por aproximadamente 5500 motores Hi-ONE próprios, cortando o consumo em mais de 550 quilowatts e elevando a disponibilidade do sistema para 99,8 por cento. Cada motor Hi-ONE tem 7,2 terabits por segundo de capacidade de transmissão, e a Huawei descreveu-o como o primeiro produto NPO com fonte de luz integrada a chegar à produção em massa.
Uma ressalva veio de fora da sala. A analista Rui Ma, citada pelo TechCrunch, notou que o SuperPoD apresentado contém 4096 chips, bastante menos do que a configuração de 15 488 chips que a empresa esboçara inicialmente para esta geração.
Escalar com o UnifiedBus
A afirmação mais ampla da Huawei diz respeito ao que acontece quando esses conjuntos são ligados. Interligado por UnifiedBus sobre uma topologia Clos de dois níveis e quatro planos, o chamado SuperCluster agêntico pode escalar até um milhão de NPU, segundo a empresa. O UnifiedBus é a tentativa da Huawei de substituir o mosaico de interligações dentro e entre bastidores por um único tecido, e a empresa afirmou que tenciona publicar a especificação 2.0 como norma aberta.

Dois produtos complementares fecharam o anúncio. Um TaiShan 950 SuperPoD atualizado suporta 4096 nós com uma reserva de memória unificada de até 256 terabytes, que segundo a Huawei arranca ambientes isolados trinta vezes mais depressa e duplica a eficiência da pesquisa vetorial. O novo OceanStor M900 trata de cache chave-valor à escala de petabytes para inferência de contexto longo e, diz a empresa, multiplica por dezasseis a vida útil dos SSD.
O argumento do ecossistema
Wang dedicou boa parte da intervenção aos programadores e não ao hardware. A Huawei situou o ecossistema Kunpeng em 4,16 milhões de programadores e mais de 7200 parceiros, e afirmou que a sua pilha de computação CANN tem agora 5200 programadores ativos por mês, 61 por cento deles externos à empresa, com mais de 90 projetos de código aberto de terceiros a suportar o Ascend. «Nenhuma empresa constrói sozinha um mundo inteligente», disse Wang.
Essa é a parte mais difícil do argumento. Aos aceleradores chineses não têm faltado especificações no papel; o que lhes falta é a profundidade de software que prende clientes a uma plataforma. As datas a vigiar são agora o primeiro trimestre de 2027, quando o 960DT deve chegar, e os resultados independentes que se lhe seguirem.