‘Cessou o uso de produtos da Anthropic’
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos já não utiliza as ferramentas de inteligência artificial da Anthropic. Um responsável do departamento disse à BBC em comunicado na segunda-feira que o Pentágono “cessou o uso de produtos da Anthropic”, sete meses depois de o secretário da Defesa, Pete Hegseth, ter designado a empresa como um risco para a cadeia de abastecimento da segurança nacional e anunciado que o departamento deixaria de a usar no final de agosto. Não foi dada qualquer explicação para o atraso.
O comunicado respondia a uma pergunta da BBC sobre o uso da Anthropic pelo departamento, depois de várias pessoas informadas terem dito que o Claude continuava a ser amplamente utilizado. Ainda na semana passada, segundo antigos responsáveis da Defesa e empresas que trabalharam com o Pentágono em IA, o Claude era usado para investigação, análise e recolha de informações, e em operações militares contra o Irão. Um porta-voz da Anthropic recusou comentar.
Porque o Pentágono vetou o seu primeiro fornecedor para trabalho classificado
As ferramentas da Anthropic eram usadas pelo Estado e pelas forças armadas norte-americanas desde 2024, e a empresa foi a primeira desenvolvedora de modelos de fronteira cujos sistemas foram implantados em agências que lidam com matéria classificada. A relação rompeu-se este ano, quando o Pentágono pressionou a Anthropic para retirar as salvaguardas de segurança do Claude e dar às forças armadas acesso sem restrições aos seus produtos. A Anthropic recusou, invocando vigilância em massa e armas autónomas.
Hegseth designou então a empresa como um “risco para a cadeia de abastecimento da segurança nacional” — uma classificação normalmente reservada a fornecedores sediados em países considerados uma ameaça aos Estados Unidos. Fixou a eliminação gradual em seis meses a 27 de fevereiro, um dia antes de os Estados Unidos e Israel atacarem o Irão. A Anthropic chamou à decisão “sem precedentes e ilegal” e processou a administração Trump para a anular. Um tribunal federal de recurso confirmou a posição do Pentágono no final de setembro.

O Claude estava dentro do Maven
Parte da razão pela qual a remoção demorou tanto está em onde o Claude se encontrava. Várias pessoas disseram que estava integrado no Maven Smart System, a plataforma operada pela Palantir que o Pentágono usa para organizar informações e outros dados, incluindo imagens de satélite e vídeo de drones. Esses dados eram introduzidos no Claude e noutros grandes modelos de linguagem para tarefas como identificar possíveis alvos militares, e os responsáveis recorriam ao resultado para redigir os relatórios de uma página que sobem na cadeia de comando. O Maven é também usado por alguns aliados dos Estados Unidos para partilhar informações com Washington.
“O facto de o Pentágono só agora ter retirado todo o uso do Claude do sistema indica que estas coisas não são apenas ligar e usar”, disse Lauren Kahn, analista sénior do Center for Security and Emerging Technology da Universidade de Georgetown e antiga responsável da Defesa. “Depois de integradas, pode ser doloroso removê-las.”
Google, xAI e OpenAI ocupam o lugar
Enquanto a disputa judicial corria, o Pentágono assinou contratos com a Google, a xAI e a OpenAI, e as ferramentas da OpenAI foram adotadas mais amplamente em alguns ramos militares nos últimos meses, segundo duas pessoas a par do uso de IA no departamento. Quando Hegseth ordenou a saída, “havia preocupação em passar da Anthropic para a OpenAI” e outras ferramentas, disse um antigo alto responsável da Defesa.

As relações da Anthropic com a Casa Branca, por outro lado, parecem estar a melhorar. Trump recebeu lá duas vezes o diretor executivo, Dario Amodei, na semana passada. “Como abordamos esses riscos continua em discussão”, disse Amodei aos jornalistas, mas “se trabalharmos com o presidente, podemos ganhar com segurança”. Trump chamou-lhe “fantástico”. Fica por ver se a designação resiste em tribunal e se uma empresa pode continuar excluída do Pentágono e ser recebida na Casa Branca.