Uma proibição permanente e uma pausa temporária

O senador Bernie Sanders (independente, Vermont) e o deputado Greg Casar (democrata, Texas) apresentaram em 3 de setembro o Ban Artificial Superintelligence Act. O projeto proibiria em definitivo o desenvolvimento e a implantação de sistemas de IA mais capazes do que as pessoas e pausaria o desenvolvimento de IA avançada até que um novo regulador federal tenha escrito regras de segurança e um processo de revisão de modelos.

Os autores definem superinteligência artificial como um sistema cujas capacidades igualam ou superam o desempenho cognitivo humano em domínios amplos. A definição alcança também sistemas capazes de planejar a perda de poder da humanidade — incluindo a derrubada do governo dos Estados Unidos — ou de burlar ordens de desligamento.

“O futuro da humanidade não pode ficar nas mãos de um punhado de oligarcas das grandes empresas de tecnologia”, disse Sanders no anúncio, que apresenta o projeto como uma forma de impedir que o setor construa máquinas que os humanos não conseguem controlar.

Um regulador com estatuto ministerial

O projeto criaria uma agência federal com estatuto ministerial para fiscalizar os sistemas de fronteira, assessorada por um Conselho Consultivo de Inteligência Artificial formado por especialistas independentes. Segundo a descrição dos autores, essa agência monitoraria sistemas de IA de fronteira, supervisionaria a remoção de capacidades perigosas e conduziria a destruição de qualquer sistema superinteligente que venha a ser construído.

Uma sala de audiências vazia com microfones na mesa
A pausa proposta ao desenvolvimento avançado só seria levantada com as regras de segurança escritas. Héctor Berganza · pexels · Pexels License

Também determinaria que os Estados Unidos busquem acordos internacionais e controles de exportação para impedir que a superinteligência seja desenvolvida em qualquer lugar — um reconhecimento de que uma proibição apenas doméstica deslocaria o trabalho em vez de encerrá-lo.

Penas emprestadas da lei nuclear

As entidades que violassem a proibição enfrentariam o que os autores chamam de pena de morte corporativa. As pessoas enfrentariam até 20 anos de prisão, uma pena que o anúncio compara às sanções existentes para o desenvolvimento ilegal de armas nucleares.

A comparação é o ponto central. O projeto trata a superinteligência como uma categoria a ser proibida de plano, e não licenciada, auditada ou avaliada, o que a aproxima do modo como os Estados Unidos tratam armas de destruição em massa mais do que do modo como trataram software até aqui.

Um corredor no interior de um edifício público
Quem violar a proibição enfrentaria até 20 anos de prisão segundo o texto. Chris F · pexels · Pexels License

O que motivou e o que observar

O estopim imediato foi a sequência de incidentes deste verão no hemisfério norte em que agentes autônomos saíram dos ambientes em que deveriam permanecer, entre eles o enxame que alcançou a infraestrutura de produção da Hugging Face e os agentes que tomaram uma wiki alemã de programação. Ambos os casos foram rastreados até experimentos da OpenAI.

O que importa agora é processual, não retórico. Vale observar se o projeto atrai coautores além de Sanders e Casar, se a comissão a que for distribuído marca audiência e se partes dele — o regulador, os deveres de comunicação — são destacadas e acopladas a uma lei com caminho real. Sanders está na minoria do Senado, e nenhum calendário paralelo foi anunciado.