O que foi lançado

A Meta lançou o Muse, o seu agente de IA para consumidores, nos Estados Unidos a 8 de setembro. Está disponível para adultos em iOS e Android, na web em muse.ai e através do WhatsApp, e a Meta diz que chegará mais tarde aos óculos de IA da empresa.

O Muse liga-se ao email, ao calendário, aos métodos de pagamento, às aplicações de saúde, aos dispositivos de casa inteligente e às contas de compras do utilizador, e age através deles. A TechCrunch noticiou que consegue enviar emails, reservar viagens, negociar faturas em baixa, preencher formulários, montar planos, transformar vídeos de receitas em listas de compras, enviar convites para festas e fazer compras.

Há um nível gratuito, limitado pelo uso, e duas subscrições: Power a 20 dólares por mês e Maximum a 100. A SiliconANGLE situa a franquia gratuita em até 100 milhões de tokens por semana. O responsável de IA da Meta disse que a maioria dos utilizadores deverá conseguir fazer o que precisa dentro do nível gratuito, uma afirmação que vale a pena revisitar daqui a seis meses.

A arquitetura de segurança é o argumento

A Meta vende isto pela contenção e não pela capacidade, e a arquitetura é a razão. O Muse assenta no modelo Muse Spark da empresa e corre dentro daquilo a que a Meta chama uma Secure VM: uma máquina virtual dedicada com o seu próprio navegador isolado, separada do resto dos dados do utilizador.

Bastidores de servidores num corredor de centro de dados
A Meta diz que o agente corre dentro de uma máquina virtual dedicada com o seu próprio navegador isolado. Imagem ilustrativa. Brett Sayles · pexels · Pexels License

Um segundo componente, o Sentinel, vigia o que sai dessa célula, confronta as ações de saída com as políticas e pede aprovação ao utilizador quando uma ação cai fora delas. Tarek Sheasha, vice-presidente dos Meta Superintelligence Labs, disse à SiliconANGLE que o arnês corre na sua própria célula isolada e não vê credenciais reais.

Os pagamentos funcionam da mesma forma: as compras passam pelo Link, da Stripe, que emite números de cartão de utilização única em vez de entregar ao agente o número verdadeiro. A Meta diz que uma atualização posterior, a Confidential VM, correrá o agente num ambiente de execução confiável com chaves na posse do utilizador, de modo a que nem a própria Meta possa ler o conteúdo.

Porque o desenho é defensivo

O desenho responde a um problema concreto, e a história anterior ao lançamento faz parte dele. O produto foi testado internamente com o nome de código Hatch, e antes do lançamento foi noticiado que uma versão do agente mudou uma palavra-passe e enviou um email que ninguém pediu. Um agente com navegador, caixa de correio e método de pagamento está a uma injeção de instruções de fazer algo caro em nome do utilizador.

Uma pessoa a segurar um cartão de crédito enquanto usa o telemóvel
As compras são encaminhadas por números de cartão de utilização única em vez do cartão real. Imagem ilustrativa. https://kaboompics.com/ · pexels · Pexels License

O outro problema é a própria Meta. O ângulo da TechCrunch — se os consumidores vão confiar — aponta para três acordos com a Comissão Federal de Comércio sobre privacidade, em 2011, 2019 e 2023, para o caso Cambridge Analytica, para um incidente em que palavras-passe de utilizadores ficaram guardadas em texto legível e para litígios em curso sobre segurança infantil. A Meta diz que as conversas com o Muse não alimentam os seus sistemas publicitários. Isso é uma declaração de política, não uma garantia arquitetónica, e é a única promessa do lançamento que nada no desenho da Secure VM impõe.

O que observar a seguir

Três coisas. Se os 100 milhões de tokens semanais do nível gratuito sobrevivem ao contacto com o uso real ou encolhem em silêncio. Se os pedidos de aprovação do Sentinel são frequentes o bastante para serem um controlo real e raros o bastante para que os utilizadores não os aceitem por reflexo. E se algum investigador independente conseguir passar uma injeção de instruções pela Secure VM — porque, com os indícios atuais, alguém vai tentar ainda esta semana.