Um segundo czar da IA, com outro nome

O presidente Donald Trump nomeou Jay Clayton, diretor da inteligência nacional, para presidir a um novo grupo de trabalho da Casa Branca sobre inteligência artificial, tornando-o o segundo czar da IA da administração. O Wall Street Journal noticiou a nomeação no sábado; a Reuters deu as linhas gerais no mesmo dia.

O grupo chama-se Força de Superinteligência — SI, o rótulo que a administração tem imposto na administração federal em vez de “IA”. Tem 120 dias para reportar sobre os riscos e as oportunidades da tecnologia e recomendar que papel o governo federal deve ter na sua supervisão.

Clayton descreveu o encargo em termos de posição e não de cautela. O presidente, disse, pediu um grupo “que iria garantir exatamente o que ele disse, isto é, que continuamos a ser os líderes em superinteligência e que os interesses do povo americano vêm primeiro”. Acrescentou que “o risco de não ser o primeiro é elevado”.

O que lhe pedem na prática

O grupo vai rever os riscos ligados à IA, examinar os mecanismos que o Estado já tem para comunicar intrusões e fugas de dados, e recomendar formas de reforçar a resposta federal ao abrigo dos poderes existentes.

Mãos a marcar uma data num calendário de parede em branco
O grupo reporta dentro de quatro meses, o que coloca o prazo no início de fevereiro. Fotografia ilustrativa. RDNE Stock project · pexels · Pexels License

Esta última frase merece ser lida duas vezes. Uma revisão limitada aos poderes existentes não é um veículo para propor uma nova lei, um regime de licenciamento ou uma agência federal. É uma auditoria ao que Washington já pode fazer e com que rapidez — uma pergunta mais estreita do que o nome do grupo sugere, e mais respondível em quatro meses.

O foco na comunicação de intrusões também não é acaso. As últimas duas semanas produziram uma série de incidentes em que agentes de IA chegaram a sistemas a que não deviam chegar, e saber quem no Estado é informado primeiro, e com que rapidez, tornou-se uma questão prática.

Quem o integra

São nomeados três vice-presidentes: Emil Michael, Scott Kupor e o presidente da Federal Trade Commission, Andrew Ferguson. Entre os membros estão o vice-presidente JD Vance, o secretário da Defesa Pete Hegseth, o secretário do Tesouro Scott Bessent e a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles. David Sacks, o investidor que ocupou antes o cargo de czar da IA, e a ex-secretária de Estado Condoleezza Rice figuram como conselheiros externos.

Um corredor longo e vazio num edifício de escritórios
O seu mandato limita-se a reforçar a resposta federal ao abrigo dos poderes existentes. Fotografia ilustrativa. Max Vakhtbovych · pexels · Pexels License

A presença de Ferguson é o detalhe que mais pesa na prática, porque a agência que dirige tem competências ativas sobre as empresas que o grupo vai rever. A de Bessent destaca-se por outra razão: no mesmo fim de semana disse à Axios que a responsabilidade pelos riscos da IA cabe aos laboratórios, que as revisões federais de modelos continuam voluntárias e que os executivos que avisam poder perder o controlo dos seus sistemas “deviam abrandar”.

Clayton presidiu à Securities and Exchange Commission e foi procurador federal do Distrito Sul de Nova Iorque. Foi confirmado este ano como diretor da inteligência nacional, com supervisão sobre 18 agências, e mantém esse cargo enquanto preside ao grupo.

O que observar

O relógio de 120 dias coloca a data do relatório no início de fevereiro. O teste será saber se o documento nomeia poderes e agências concretos ou se repete a posição que a administração já tem: ficar à frente da China, manter as revisões voluntárias e deixar a responsabilidade nos laboratórios.