A CrowdStrike aproveitou sua palestra de abertura na Fal.Con, em 1º de setembro, para lançar o SafeMind, um par de modelos de cibersegurança criados com a Nvidia para atacar e defender a mesma rede — e para continuar fazendo isso um contra o outro.

Dois modelos, funções opostas

O Red Tempest é a metade ofensiva. Procura caminhos de ataque e emula o comportamento de um adversário. O Blue Solano é a metade defensiva e corrige o que o Red Tempest encontra.

Ambos são construídos sobre os modelos abertos Nemotron da Nvidia. A CrowdStrike diz tê-los treinado com telemetria dos sensores Falcon, sua inteligência de ameaças, anotações de eventos do serviço gerenciado Falcon Complete e quinze anos de trabalho de campo em resposta a incidentes.

Cabeamento de rede passando entre racks em uma sala de servidores.
O SafeMind roda seus dois modelos contra um gêmeo digital do próprio ambiente do cliente. panumas nikhomkhai · pexels · Pexels License

O laço é o produto

O que a CrowdStrike vende não é nenhum dos modelos isoladamente. Os dois rodam contra um gêmeo digital do ambiente do cliente: o Red Tempest procura uma entrada, o Blue Solano a fecha, e o ciclo se repete até não restar nada a encontrar.

Esse enquadramento decorre do problema que a empresa não para de apontar: o breakout time, o intervalo entre a entrada de um invasor e seu movimento lateral, comprimiu-se a ponto de a CrowdStrike já o descrever como tempo de execução. Uma defesa que exige um humano no laço não cabe nessa janela.

Os números são do próprio fornecedor

A CrowdStrike informa taxa de detecção 29% maior, remediação ponta a ponta seis vezes mais rápida e 99% de economia de custos em detecção e remediação.

Todos esses números vêm da avaliação que a CrowdStrike faz do próprio produto. Devem ser lidos como uma afirmação sobre a direção da arquitetura, não como resultado reproduzido. O número de 99%, em especial, é uma comparação com modelos de fronteira que a empresa escolheu e não nomeou no comunicado — um parâmetro que não pode ser checado de fora.

Onde roda

O SafeMind opera nativamente dentro da plataforma Falcon. Os modelos separados, e os arcabouços que os colocam um contra o outro, estão disponíveis à parte por um programa que a CrowdStrike chama de Project QuiltWorks.

Linhas de código e uma janela de terminal na tela de um computador.
Os modelos separados estão disponíveis por um programa que a CrowdStrike chama de Project QuiltWorks. Tima Miroshnichenko · pexels · Pexels License

A CoreWeave fornece computação tanto para treinamento quanto para inferência, disse seu presidente-executivo, Michael Intrator, no comunicado. A empresa não publicou preços nem data de disponibilidade geral.

O que observar

Se um modelo ofensivo treinado com quinze anos de dados reais de incidentes permanece dentro do gêmeo digital. A CrowdStrike lança um sistema cujo propósito declarado é encontrar caminhos exploráveis em ambientes de clientes, uma semana depois de a OpenAI classificar o próprio modelo no nível Crítico de capacidade em cibersegurança. O setor converge para a mesma capacidade por dois caminhos, e as salvaguardas são desenhadas depois da capacidade, não antes.