Cinco dias, sete instituições

Sete empresas financeiras sul-coreanas comunicaram fugas de dados de clientes desde quinta-feira, e os investigadores acreditam que um único atacante as conduziu todas com ajuda de uma ferramenta autónoma de testes de intrusão baseada em IA. O Korea Times apontou mais de 67 mil pessoas afetadas. O mesmo endereço IP do atacante foi encontrado nas sete instituições.

O Korea Herald detalhou as fugas: o Shinhan Bank, com processos de pedido de crédito de cerca de 25 mil pessoas; o Yegaram Savings Bank, cerca de 40 mil; o Welcome Savings Bank, 2.200 casos; a Hyundai Capital, 146 pessoas; o KB Kookmin Bank, 153; o Hana Bank, 89 casos; e o BNK Busan Bank, 11 trabalhadores subcontratados. O Woori Bank e o NH NongHyup Bank afirmaram ter bloqueado as tentativas de intrusão. Os registos expostos incluem nomes, contactos, números de registo de residência, rendimento anual e limites de crédito.

O que os investigadores encontraram no servidor

A ferramenta apontada pelos investigadores é a Artex, um sistema de testes de intrusão de código aberto em língua chinesa distribuído através do GitHub. Usa um grande modelo de linguagem para fazer reconhecimento, encontrar pontos de autenticação vulneráveis, planear uma via de entrada, executar o ataque e verificar o resultado, sem que uma pessoa oriente cada passo. Analistas do Korea Financial Security Institute identificaram-na pela assinatura que o seu tráfego deixa, e foram encontrados rastos num servidor que se crê ter sido usado nos ataques.

Cabos de rede ligados a um comutador
Foram achados rastos de uma ferramenta de ataque de IA num servidor. Fotografia ilustrativa. Brett Sayles · pexels · Pexels License

Duas ressalvas importam. Os investigadores dizem que foi uma pessoa a dirigir a campanha: a ferramenta automatiza o trabalho, não escolheu os alvos. E a interface em chinês nada diz sobre onde está o operador. A Comissão de Serviços Financeiros não confirmou o uso da Artex, e o seu presidente, Lee Eok-won, foi cauteloso: “Não podemos excluir a possibilidade de ataques que usem IA.”

A resposta do regulador

A comissão convocou uma reunião de emergência com dirigentes do setor no domingo e ordenou às empresas que bloqueassem o acesso externo aos seus sistemas salvo quando essencial ao negócio. O Serviço de Supervisão Financeira mandou concluir inspeções de segurança de emergência até quinta-feira. O presidente Lee Jae Myung instruiu as autoridades a investigar a fundo, disse a porta-voz Kang Yu-jung.

Lee Eok-won afirmou que, por agora, nada indica fuga de informação sensível, mas que não se podem excluir danos secundários como a burla telefónica. “Temos de rever todo o quadro de segurança para garantir que não há falhas”, disse.

Uma sala de reuniões vazia com uma mesa comprida
A Comissão de Serviços Financeiros reuniu com o setor no domingo. Fotografia ilustrativa. Valeria Drozdova · pexels · Pexels License

Dinheiro gasto nos sítios errados

O incómodo para os bancos é que nada disto entrou pela porta da frente. O Korea Herald noticiou gastos em segurança em 2026 de 86,07 mil milhões de won no KB Kookmin, 63,63 mil milhões no Hana, 61,56 mil milhões no Woori e 40,59 mil milhões no Shinhan. Os ataques passaram antes por sistemas de funcionários, acessos de prestadores e redes de agentes de crédito: as margens do perímetro, não o núcleo.

Essa assimetria foi o ponto levantado por vários académicos coreanos esta semana. Lim Jong-in, professor que assessorou o governo em segurança, disse que os agentes de IA são “capazes de procurar vulnerabilidades automaticamente”. Hwang Suk-jin colocou o problema do lado da defesa: “À medida que os ataques se tornam mais coordenados e automatizados, as defesas não podem continuar fragmentadas.” As inspeções vencem na quinta-feira, e a confirmação ou não da Artex decidirá quanto disto se torna um modelo.